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Homenagem à Petrópolis
>> Na vastidão do mar brasileiro vem acontecer o encontro de Caio Zip com o jornalista alemão Koseritz Unidos eles estão envolvidos numa grande missão: uma entrevista exclusiva com Dom Pedro II <<
De
trem a Petrópolis, cidade imperial
À uma hora deixei o palácio, e, depois de ter mudado de roupa, fizemos um grande passeio de carro por todos os arredores, até a Cascatinha, local lindamente situado, onde existe uma fábrica de tecidos que emprega centenas de operários.
Passamos de numerosas residências de colonos, onde se trabalhava ativamente. Todos como nós, a maior parte da Mosela; quase todos plantam legumes; fabricam queijos, (inexcedíveis e muito apreciados no Rio), manteiga, etc.
Também vendem verduras e cultivam frutas, porque o solo não se presta a outras culturas. Vimos a Cascatinha do alto da estrada União Indústria, que é uma via verdadeiramente no gosto europeu, e sobre a qual a nossa elegante sege corria como sobre macadame.
A vista do profundo vale é soberba; de cima de enormes massas de rochedos se atira o riacho espumante, que impulsiona em baixo as máquinas das fábricas. Esta cobre uma grande extensão e é magnificamente aparelhada.
Os sinos tocavam justamente quando chegamos, e numerosas crianças irromperam das oficinas dirigindo-se ao refeitório.
Depois
de termos admirado a linda vista da Cascatinha, regressamos e paramos
diante da grande fábrica de cerveja do senhor Lindscheid, o qual
prepara uma excelente cerveja preta...
Seguido
de seus fiéis discípulos, o jornalista pegou o vapor na baía,
passou por diversas ilhas como Paquetá e ilha do Governador, e
desembarcou no porto de Mauá, de onde pegou o trem que pelos trilhos
da primeira estrada de ferro construída no Brasil, a estrada Visconde
de Mauá, foram conduzidos à Raiz da Serra, embaixo da Serra dos Órgãos.
De lá, os três viajantes acomodaram-se em outro trem, cujos vagões
eram grandes e largos. Carolina,
que já estava sentindo o efeito do calor e de tantas horas de vai e
vem, abandonou num canto sua pequena sombrinha e seu livreto e usou
sua bolsinha de pano para apoiar sua cabeça no encosto da poltrona.
Depois de apreciar a paisagem, dormiu tranquilamente como se estivesse
numa cadeira de balanço. Em
grande velocidade, pelo menos para o velho jornalista, o trem foi
atravessando a parte baixa, pantanosa e insalubre, e mais adiante se pôs
a subir aqueles 800 metros de montanha. A
máquina barulhenta do trem que ficava na parte de trás se lançou ao
desafio soprando uma vasta fumaça. Com a ajuda de suas rodas dentadas
e cremalheiras concentrou sua força colossal em empurrar os grandes e
elegantes vagões carregados com muitos passageiros. Subia mais um
pouco aquela negra parede rochosa sem deixar de gemer por um instante,
enfrentando florestas escuras e os profundos e ameaçadores precipícios
que a cercava. As
dúvidas se estariam com os ossos inteiros, que assombravam o
jornalista durante toda a jornada, só se dissiparam quando finalmente
ele topou com uma pequena cidade escondida nas nuvens, a cidade de
Petrópolis. Lá
de cima, Caio se empenhava em furar aquela maciça névoa que o
mantinha cego. Quando finalmente conseguiu, ficou espantado e
encantado ao encarar a vista selvagem que emoldurava o Rio de Janeiro,
apenas conhecida por ele através de fotos ou de pinturas antigas. A
única coisa que o fez tirar os olhos daquele quadro vivo foi a súbita
aparição de um grupo de homens montados em mulas.
Desconfiado
da gigantesca monstruosidade metálica, o grupo teimava em subir a
Serra usando a larga estrada “União e Indústria”. Koseritz, que
também estava observando o pessoal, ficou a lamentar o quanto tinha
sido gasto em milhares de contos de réis para construir aquela
estrada, pela qual transitavam as diligências e que agora desaparecia
ao lado do caminho de ferro. O
apito da locomotiva avisou que estavam no plano. O trem não gemia
mais como antes. Mais adiante desatrelaram a máquina que o empurrara
até aquele topo cumprindo sua missão quase impossível. Com a ajuda
de várias mulas, foi engatada outra máquina na frente que completou
o resto do desafio a toda velocidade em direção à última estação. –
Chegamos! – exclamou Koseritz ao chegar à estação. – Vamos,
pessoal! Vamos logo tratar de alugar uma carruagem e ir para o hotel. –
Pro hotel? – estranhou
Caio. –
Claro, meu jovem – disse o alemão já fazendo sinal para um
cocheiro parar. – Está ficando tarde. Essa viagem foi muito
demorada. Temos que descansar e preparar nossas roupas. Imagine se vão
nos deixar, eu e você, entrar usando casacas amarrotadas. Carolina
também tem que estar com o vestido de gala impecável. –
E temos que comer alguma coisa – completou Carolina, apertando o laço
de fita de chapéu embaixo do seu queixo. – O restaurante do trem
parecia tão bom, mas mesmo assim, não consegui comer nada durante a
viagem. –
Eu também não consegui – disse Caio. – Pra mim, viagens e comida
nunca dão certo... Mas agora minha barriga está roncando demais. –
Então vamos logo – insistiu Koseritz, empurrando os dois jovens
para a carruagem. – Se tivermos um pouco de sorte amanhã bem cedo
conseguiremos a tão sonhada audiência e finalmente poderei fazer a
minha entrevista com o imperador. A
cidade possuía várias casas em estilo suíço, muitos parques
floridos e ruas largas percorridas por canais atravessados por
numerosas pontes para pedestres. Aquele lugar dava a forte impressão
de ser mais bem tratado que a capital que ainda se recuperava das
fortes chuvas dos últimos dias. Naquela hora, no meio do passeio público,
concentrava-se uma plateia elegante que apreciava a apresentação de
uma banda. Na maioria eram crianças loiras,
filhos dos colonos alemães que haviam se fixado naquelas terras de
baixa temperatura da serra. Chegando
ao hotel, os três foram recebidos por empregados com gravatas e luvas
brancas. Tudo ao redor cheirava à realeza. Após se acomodarem nos
espaçosos quartos e se prepararem para o jantar, mal Caio se sentou
diante da longa mesa, Koseritz desconfiou que algo ali estava errado.
Apesar da sala de jantar estar repleta de hóspedes, o silêncio
imperava naquele lugar. (...)
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Veja AQUI um OUTRO trecho do Livro Dom Pedro II e Koseritz
Uma conversa animada com Chiquinha Gonzaga, Machado de Assis,Cruz e Souza e muito mais.
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