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CAIO Z|P

 

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  O FANTASMA DA ÓPERA CARMEN

 

 

 

>> Nessa viagem no tempo de 1885 Caio Zip acaba levantando a cortina e descobre a magia da Ópera de Paris. Lá, ele vê em cena  o impressionismo exibido por Monet, Degas ,  Van Gogh e a matemática, representada por H. G. Wells, Sherlock Holmes... Tudo isso envolvido com a famosa ópera de Bizet, Carmen, e como não poderia deixar de ter enigmas e assassinatos para serem resolvidos. <<

 

 

 

Ópera de Paris

Imagem viva do fantasma da Ópera Carmen

               

 

  

Veja dois Trechos do livro 

O Fantasma da Ópera Carmen

 

 

TRECHO 1

 

           As cortinas vermelhas foram se erguendo, sem pressa, desvendando um sonho. O palco foi se tornando um mundo irradiante, pontilhado por figurantes com trajes claros e em tons pastéis. Mulheres, ostentando leves véus de renda na cabeça e com seus leques de cores agitadas davam formas e tonalidades à ilusão de uma pequena vila espanhola. O toque final foi à chegada de alguns vendedores, carregando suas mercadorias coloridas. Eram diversas frutas, pães e doces, retratando uma feira brilhante e alegre envolta de uma praça bem no centro da cena.

            Pan param param pan pan.... A música ficava cada vez mais intensa. Os violinistas arranhavam seus instrumentos para arrancar um impetuoso e apaixonante som. Não havia como negar que, na sua frente, Caio visualizava a fantasia de uma terra coberta por um sol de verão, repleta de homens e mulheres alegres de sangue latino quente... A música cheia de energia fazia-se correr por suas veias, obrigando o coração a bater no mesmo compasso acelerado.

           Um coro formado por homens com coletes e chapéus de abas largas e mulheres com vestidos rodados e longos, lotava o teatro com suas vozes afinadas. Logo após, um grupo de meninos com roupas simples e desgastadas participavam, cantando e marchando, imitando uma tropa de soldados que se aproximavam preparando-se para uma troca de guarda. Tocou um sino e de uma fábrica de tabaco, com uma paisagem pintada no fundo, saiu um aglomerado formado exclusivamente de mulheres. Homens, cavalheiros e soldados, que as esperavam, fizeram-lhes, como a própria melodia delatava, juras de amor tão sólidas quanto a fumaças dos cigarros que elas tragavam.

Frases e cantos foram materializando a história tornando-a mais presente, onde vozes masculinas apaixonadas transformaram-se numa só, evocando como súplica por um pouco de amor de uma única mulher ainda ausente: “Carmencita! Carmencita!”

De repente, eles se calam. E da penumbra, do fundo do palco, surge uma misteriosa mulher de pele morena com olhos amendoados e profundos. Ela, vestida como uma cigana, com um andar sedutor se posiciona no centro do drama e como uma voz felina afia suas frases cantadas: “L’ amour...” Ela canta e Caio foi escorregando na poltrona... Ele esticou as pernas, apoiando-as no parapeito do camarote . Ajeitou o seu boné para não perder de vista a bela canção. Ela encanta: ”L´amour est un oiseau rebelle” (o amor é um pássaro rebelde.) A cigana entoa sua magia, cada vez mais envolvente, enfeitiçando tanto o elenco masculino quanto o único espectador na platéia escurecida. “O amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar, não adianta chamá-lo, pois ele só vem quando quer.” Ela com astúcia e com o efeito da música lírica espalha seu timbre cheio de sensualidade cercando todos os homens que a rodeiam. “Qualquer apelo resulta em vão se ele decide recusar... De nada adiantam ameaças ou súplicas...” Apesar de seus instintos lhe prevenir que o sortilégio não está atingindo a todos, ela insinua: “Tu crês prendê-lo; ele te evita. Crês evitá-lo; ele te prende.” A cigana, perseverante, descobre quem estava indiferente a sua poção de versos. Ela, como que desafiada, fixa-se na figura de um homem sentado, um soldado mais recuado, chamado pelos outros de D. José. Ele, indefeso, distraído com o conserto da fivela do eu cinto ainda a ignora. Num gesto provocativo, ela o golpeia com uma rosa vermelha e, traiçoeiramente, usando mais uma vez a sua atraente voz, agarra sua presa com o seu olhar. E depois, como se tudo não passasse de um passatempo, ela retorna para a fábrica, junto das outras mulheres, sem olhar pra trás, sem deixar cair uma gota de remorso sequer.

A ópera vai contando seu drama e Caio foi se esquecendo de tudo.

Na próxima cena, D. José encontra-se em conflito: se deve obedecer a mãe doente que lhe envia uma mensagem, ordenando a casar-se com a doce camponesa Micaela, a que lhe trouxe a carta, ou seguir o seu coração, agora, acorrentado por Carmen.

Mulheres vêm correndo, pondo-se a disparar gritos, alertando a todos na praça. Cantaram que Carmen lutou com uma moça, Manuelita e usando uma navalha marcou a rival na testa. As operárias brigam entre si, o tumulto deixa os soldados, desarmados e sem atuação, acabam apanhando bastante ao tentar separá-las. O oficial, exigindo ordem, é cercado por um bando, as mais exaltadas, e é derrubado no chão. D. José, um dos poucos que nada sofreu nessa batalha, é ordenado a amarrar as mãos da cigana e levá-la à prisão, já que ela, apenas cantarolando com uma impressionante confiança, se nega a dizer a razão da discussão. Quando o soldado fica sozinho com a enigmática Carmen fica a mercê do canto sedutor da mulher que o condena ao amor perpétuo. Ele, traído pelo coração, acredita no canto de promessa da cigana de reencontrá-lo num bar em Sevilha de Lillas Pastia e a ajuda, afrouxando as cordas. No caminho, fingindo empurrar o cativo soldado, ela foge para bem longe. Com as claras evidências confirmadas pelo próprio cúmplice apaixonado, D. José, é castigado. Seu corpo é aprisionado no quartel pelo oficial superior e sua alma é levada pela cigana.

Por um breve momento, a visão do garoto foi encoberta pela figura de um homem de pé, que também contemplava a atraente Carmen. Caio chegou a se encolher, pensando que se tratava do vigia, mas, como a forma do chapéu e o contorno do corpo eram bem diferentes, notou que se tratava de outra pessoa. O sujeito andou pelas cadeiras da fileira a frente sem perceber a presença do rapaz. O ombro inoportuno do estranho, que atrapalhava a visão de Caio, estava ligeiramente inclinado como se estivesse carregando algo pesado. Poucos minutos depois, o homem saiu por uma das portas laterais.

         Mais calmo, Caio continuou assistindo, encantado, o coro formado por soldados, mas logo foi interrompido ao ouvir passos pesados e sorrateiros se aproximando...

 

 

          

          TRECHO 2 

 

Saindo da estação Gare Saint Lazare a locomotiva a vapor partiu pontualmente atrasada, como indicava o relógio de Wells, às oito e dezesseis, trilhada pela paisagem dos campos sem profundidade, emoldurada pela janela, onde Sherlock e Wells, acomodados no vagão restaurante, trocavam idéias enquanto Caio avançava nos chocolates. Ao atingirem a estação perto da aldeia de Giverny, eles desembarcaram e aproveitaram para alugar uma carroça que os conduziu por uma estrada de terra salpicada de solavancos.

Após o longo e tortuoso trajeto, ao se aproximarem dos arredores da casa de Monet, Caio e os amigos ainda tiveram que desbravar um jardim com fileiras de canteiros de cores vivas, agitadas ao sol, cercando uma casa rosa na sua retaguarda. Era como se estivessem sendo abocanhados por um legítimo quadro, plantado e criado pelo próprio Monet.

Já na porta, eles foram recebidos por Alice e mais oito jovens que se camuflavam nas folhagens.

- Desculpem as crianças - pediu Alice, envergonhada. - Há alguns dias temos sido vítimas de ladrões que nos têm levado nossas melhores galinhas. Essa minha turma cismou de levantar um cerco que nem eu consigo mais fazer nada direito.

- São todos seus, madame?

- Oh, senhor Wells, apenas seis deles são meus com meu marido que me abandonou. Se não fosse a acolhida de Monet e Camille, que Deus a tenha. O menino Michel, o que está de estilingue e o outro rapaz, Jean, recitando para minha Suzanne, são de Monet. Bem, vamos tentar desviar da barricada e nos reunir com o pessoal que já chegou.

Ela levou Wells e Holmes até o fundo daquele colorido que os envolveu.

Logo avistaram Cézanne tomando uma bebida e girando em torno de uma mesa com uma cesta de frutas no centro. Degas, mais isolado, olhava o movimento dos jovens moradores da casa que, aos poucos, Caio foi conhecendo. Jean Pierre caçava rãs para o almoço. Marthe cuidava das valiosas galinhas. Blanche juntava num carrinho de mão todo o equipamento do artista que admirava como um autêntico pai. Michel, agora com o estilingue no bolso da calça, junto de Germaine, tratava de tirar as ervas daninhas teimosas que insistiam em arrancar a harmonia do jardim. Jacques andava pelos arredores com sua bicicleta.

Caio e os outros dois amigos ficaram abismados ao reparar que Renoir e Monet estavam mais afastados no fundo do quintal queimando algumas de suas telas.

- Por que isso? - chocou-se Wells

Monet, sem desviar seu rosto das chamas, descarregou sua mágoa.

- Eu não agüento mais! A luz me derrota sempre. - O pintor nervoso lançava mais uma tela na fogueira. - Eu não posso mais. Como vou usar os tons para mostrar o que vejo naquele exato instante? A luz muda o tempo todo. Ela é terrível!

- Ficamos tão preocupados com a luz que esquecemos sobre o que estamos compondo – Renoir estava em visível conflito. - Eu não quero mais pintar ao ar livre. A forma é engolida pela luz.

Renoir, inquieto, se juntou a sua Aline e seu filho recém nascido. Deu um beijo na amada com os cabelos cor de trigo esvoaçando e, em seguida foi descrevendo seus amores numas folhas soltas que agora o atraíam mais do que as paisagens coloridas em sua volta.

- Impressão. Não é isso que vocês procuram? - Wells tentava salvar alguns quadros já chamuscados. - Vocês são os primeiros que tiveram êxito em congelar o tempo. A sentir a realidade... E querem destruir isso?

- Que realidade! Venha cá, meu rapazinho! – Monet, irritado, levou Caio para perto de um lago. – O que você está vendo na água?

- Ora! Estou vendo meu reflexo. Na verdade, estou vendo meu passado.

- O quê? – surpreendeu-se Monet.

- Ora! – continuou o rapaz com um ar de vitorioso ao dar sua explicação. - Quando olhamos para um espelho o tempo que a luz reflete e retorna por esse espaço que nos separa, já nos traz uma imagem do que já passou. Apesar de ser num tempo minúsculo. Mas as estrelas... Elas estão tão distantes. Elas, sim! A luz leva tantos anos para nos trazer sua imagem que quando finalmente nós a captamos, a estrela já pode até ter deixado de existir.

-         Aham! – admirou-se o físico. - Estou gostando de ouvir.

- Muito interessante sua idéia, senhor espertinho. – zombou Monet. - Pena que não é disso que estou falando.

- Não? – disse Wells.

- Por acaso, vocês podem pegar nesse reflexo?

- Claro que não. – sorriu Wells.

- Então vocês têm que admitir que a realidade é feita de ilusões. O reflexo, as nuvens, o céu, as estrelas, a luz e sobretudo, as cores... A maneira a que estamos habituados a enxergar tudo em nossa volta escraviza a nossa mente. Nossa visão é muito limitada. Temos que aprender a piscar, a ver num só relance. Talvez assim possamos fixar melhor a verdade que nos envolve. Mas a luz é um desafio. Ela só permite uma vaga impressão. O reflexo é apenas um olhar.

- Monet é apenas um olho, mas, meu Deus, que olho - Cézanne bateu com força o copo na mesa e depois ficou contorcendo as mãos. - Um artista é como um telescópio. Ele capta imagens que um olho comum deixa passar. Olhem em sua volta! As provas de estarmos vivendo num mundo impressionante estão aqui ao nosso alcance. E, mesmo assim, ainda existe muita gente que insiste em virar de costas e dizer que isso tudo que manifestamos nas telas não passa de uma aberração. Nossa arte é vista como anormal e nós como mutantes. As pessoas não querem descobrir novos conceitos. Só aceitam essa realidade sem cor e sem jogo de luzes. Quadros que não passam de uma cópia exata, uma fotografia. Os quadros dos grandes artistas clássicos são considerados normais. Onde está o toque de evolução?

- Mutantes, nós? - Monet colocou a mão nas costa de Cézanne e o sacudiu. - A luz é que é mutável demais. É ela que me deixa doido. Mudando as cores a cada instante. Mudando o que realmente estou vendo.

- Meus amigos impressionistas – declarou Wells de braços abertos. -Vocês são a base da teoria de Darwin, isso sim.

- Que teoria é essa? – questionou Caio.

- Em essência, a teoria sustenta que os membros jovens das diferentes espécies competem intensamente pela sobrevivência. Os que sobrevivem, e que darão origem à geração seguinte, tendem a incorporar modificações naturais favoráveis, que se transmitem por meio da hereditariedade. Em conseqüência, cada geração será melhor, em termos adaptativos, em relação às anteriores. Este processo gradual e contínuo é a causa da evolução das espécies.

- É verdade! – concordou Cézanne. - Mas como custa caro essa evolução.

- Tenho uma idéia. - interrompeu Wells. - Que tal cada um pintar o que vê? Assim veremos como é a evolução de cada um.

- Mas que maldição!

O que houve Renoir? – Monet foi até o pintor chateado que tinha suas mãos erguidas tremendo sem parar.

- É essa porcaria de artrite – resmungou Renoir que tinha sua mão contorcida, deixando os seus papéis caírem no mato. – Minha mão... Eu não consigo me mexer direito.

- Quer descansar, Auguste?

- Não, Aline. Eu não vou parar por causa dessa miserável dor. Essa coisa não vai me controlar. Pode deixar. Eu ainda posso pintar com a mão esquerda.

O pessoal deixou Renoir aos cuidados de sua esposa e cada um se posicionou onde achava mais interessante para começar a pintar. Wells, como um crítico, ficou apenas passeando pelo grupo, analisando os trabalhos que iam sendo montados na exposição ao ar livre. Era inevitável. Cada obra que sua mente analisava, de alguma forma, era relacionada com suas teorias sobre o tempo.

Monet, por exemplo, estava a bordo de seu estúdio flutuante, um pequeno bote com uma pequena cabina e um toldo claro para evitar a luz direta sobre o trabalho. Dessa forma, ele mergulhava na sua paisagem. As texturas das nuvens davam a idéia de algo fora do tempo e as árvores carregadas com luzes atraiam os olhos para o fundo da vastidão da água azulada e esbranquiçada. Elas conduziam para junto das moças dentro do bote, transformadas em pequenas manchas, num ponto, de um quadro margeado apenas pelas árvores que delineavam o percurso do rio. O tremulo espelho d’água transbordava, fundindo-se com a paisagem. Wells divagou:

- Se quisermos algum dia viajar no tempo, temos que aceitar uma nova concepção do espaço. Um espaço sem fronteiras, com uma nova perspectiva. Diferente da ensinada na geometria Euclidiana, onde uma reta é a menor distância entre dois pontos. Temos que deixar de trabalhar apenas em cima dos planos...   temos que ter uma nova visão. Sim! Dobrando o papel... É! A distância entre dois pontos é obtida dobrando-se o plano até que os dois pontos se encostem. O espaço... Para viajar não temos que sair do lugar. O espaço é como uma infinita folha de papel. Deve ser dobrado... Deve ser possível, de algum modo essa dobra espacial.

- Dobra espacial? – disse Caio animado. – Ah, eu já ouvi sobre isso.

- Imaginava que sim, meu viajante, é uma questão de tempo para um dia o homem com criativa visão, responder essa questão, não é. – o jovem físico piscou para Caio.

Cézanne tomou como modelo uma pequena estatueta a bordo do barco de Monet. Como a embarcação não parava no lugar, acabou retratando o pequeno objeto todo retorcido, como se estivesse vendo-o de vários ângulos. Wells ficou intrigado. Aquilo parecia ser uma ousada tentativa de representar as várias posições todas ao mesmo tempo, num só piscar.

- O espaço sem o tempo... É impossível criar uma estátua instantânea. Posso construir uma estatueta com sua largura, comprimento e altura, suas três dimensões. Até posso distorcê-la... Todavia, sem o tempo... Jamais a estatueta, qualquer figura, um cubo que seja, conseguirá existir. O tempo... O tempo tem que ser repensado. Temos que vê-lo como uma... Uma quarta dimensão!

Renoir, apesar do seu duelo com a luz e sofrendo com as dores, banhava cores suaves de um rico arco-íris em cima de uma doce Aline amamentando Pierre. Usando todos os toques brilhantes e ternos de sua paleta, dava a modelo e amante daquela tela uma expressão mais sólida do que a personagem da vida real. As sombras negras pousadas no solo eram suprimidas por um tenso azul escuro brilhante.

- Temos a impressão que nos movemos por todo o espaço, - ponderou o físico. - mas como ficamos desamparados ao remar contra a correnteza do tempo que nos obriga a viajar sempre em frente, deixando essas belezas, esses momentos especiais, pra trás. Ainda bem que existem os artistas para nos dar essa bagagem de belas lembranças.

Degas pincelava a sua impaciência ao tentar capturar todos os movimentos dos cavaleiros agitados ao longe, apostando corrida num campo aberto.

- Como consegue isso? – o crítico estava atônito com a imagem de um cavalo marcado por vários riscos que definiam todas as posições anteriores do animal como se fosse uma arte instantânea. - Ninguém consegue congelar movimentos como você, mas também, meu caro artista rabugento, tem a capacidade de esboçar a solidão, não é? - Wells encarou Degas que ficara espantado com a observação. - Sempre observando a tudo e a todos, no entanto, fazendo questão de colocar seus modelos de um jeito como que ignorando sua presença. Como pode se sentir assim se vive cercado por tantos amigos?

O crítico ao reparar no último quadro soltou uma risada.

- Rapaz, você vê as coisas de um jeito bem estranho. Macacos me mordam se isso não é um Monet mutante.

Caio tinha feito a figura de Monet com sete cabeças e vinte braços pincelando vários quadros ao mesmo tempo.

- Ora!- reclamou o pintor novato. - Ele fica o tempo todo pedindo outro quadro para Alice. Olha quantos ele já tem em volta dele!

- Essa é boa - apoiou H.G. - Você tem razão, rapaz. Ele parece mesmo um bicho de sete cabeças brigando com a indomável luz e, para não perder um segundo, decidiu se defender usando várias telas.

- Quer saber? Com esse negócio de desenhar quadro a quadro, isso mais parece com os desenhos animados da T.V.

- T.V.? – estranhou o crítico. - Bem, Monet quando era da sua idade ganhou muito dinheiro vendendo caricaturas para os amigos de escola. Aliás, foi assim que ele conseguiu vir para Paris e estudar pintura - Wells voltou para o desenho de Caio e deu seu parecer. – Eu não sei se essa senhora T.V  ganhou muito, mas acho que com esse seu desenho, meu caro C. Z., de fome você não morre.

- Fome! – interrompeu Monet. - Ninguém morre de fome na minha casa. Vamos pra casa, minha gente. Hoje vocês verão o que é uma esplendida arte gastronômica.

- Que bom! – animou-se Caio. - Pintar me deu uma fome danada. Vamos logo.

O pessoal se agrupou e foram para a casa rosa. No caminho, encontraram Sherlock que tinha se ausentado sem que ninguém tivesse percebido. Todos estranharam ao verem que ele estava trazendo sob a mira de uma espingarda dois homens com as mãos levantadas.

- Mas o que está acontecendo? - Alice chegou correndo seguida dos filhos,  colocando-se na frente de Sherlock. - Por que está usando essa arma?

- Não se preocupe madame, eu apenas a peguei emprestada. Só quero levar esses malandros pra cadeia.

- Mas quem são eles, Holmes?

- Ah, Herbert, eles estavam tentando roubar as galinhas, mas, graças a sua brilhante sugestão, consegui pegar esses dois.

- Minha sugestão?

- “Cada um deve pintar o que vê.”- repetiu Sherlock com um grande sorriso. - Bem, como eu vi esses dois gatunos vigiando a casa, achei a atitude deles muito suspeita e os segui.

- Mas que coisa! E o que a pintura tem com isso?

- Tudo! A pintura me ajudou muito a capturar o que eu via.

Sherlock mostrou sua arte. Ele tinha pintado perfeitos retratos de umas galinhas bem gordas nas paredes do galinheiro para iludir os ladrões.

- Que raposa você me saiu, Holmes! – Monet admirava a nova pintura na parede. - Você é tão imprevisível quanto um artista deve ser.

         - É! – Degas refletia. - Pintar um quadro requer tantas fraudes, truques e traições como cometer um crime.

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