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Trecho do livro 

Caio Zip em:

Alexandre, o Grande Na Índia

 

Escrito por Regina Gonçalves

 

> Os tambores ecoam. É chegada a hora de Caio descobrir a sua força. Além de ser obrigado a encarar uma batalha, terá que finalmente colocar a prova sua astúcia usando somente como arma as regras de EQUILÍBRIO, DE EQUAÇÕES... Terá que sobreviver durante a jornada com o grande comquistador, enfrentando máquinas de guerras, elefantes, crocodilos, cobras,.desafios e... A IRA DOS DEUSES.<<

 

                                                                

 

               

 

   

  

A nuvem azulada do portal do tempo foi se dissipando, mas mesmo assim Caio Zip não conseguia ver quase nada. Uma fumaça negra o envolvia e um barulho de gritos de homens, misturado com relinchos de muitos cavalos, deixou-o quase surdo.

Alguém vindo por trás empurrou o rapaz fazendo-o tombar dentro de uma poça de lama. Ao tentar se levantar, ele quase foi pisoteado por vários homens usando capacetes que cobriam os seus rostos. Espadas e lanças brilhavam ao reflexo da luz do sol. Mais gritos ecoaram, mas diferente da outra vez, soaram tão intensos que fizeram o garoto sentir uma dor aguda no peito, como se tivesse sido atingido por uma daquelas armas bem no coração. Um sentimento forte de pavor misturado com ódio o cercava. A nuvem negra estava mais fraca e agora visualizava imenso campo árido. Estava coberto de soldados guerreando e outros abatidos no chão com uma pura expressão de terror.

A sua frente, havia uma enorme construção de madeira, onde Caio pôde observar focos de pequenos incêndios. Uma espécie de carroça, com uma torre de madeira muito alta em cima e uma gigantesca lança na sua frente, estava encostada numa das paredes daquela fortaleza. Movimentava-se sozinha e tentava, insistentemente, derrubar o obstáculo. Caio se aproximou daquele estranho engenho, tão diferente, e descobriu que dentro daquela torre havia uma centena de homens amontoados. A maioria estava empurrando a torre que os protegiam das lanças atiradas da construção, enquanto outros balançavam, pra frente e pra trás, uma gigantesca tora de madeira pontiaguda pendurada na torre contra o paredão. Quando finalmente conseguiram abrir um grande buraco, vários homens saíram daquele tanque primitivo, segurando suas armas. Entraram pela brecha defendida a todo custo pelos adversários, mas mesmo assim, avançaram como um bloco bem resistente, gritando numa só voz:

- AAAllleeexxxannnndros!

Caio escutou um forte zumbido. Olhou para o céu e um enxame de flechas voava por sua cabeça vindas detrás das árvores de uma vasta floresta. Assustado, ele correu e se escondeu atrás de um grupo de pedras.

Do seu lado esquerdo, pôde assistir a chegada de outros engenhos, mas esses eram diferentes. Alguns traziam placas de madeiras que serviam como rampas para auxiliar outro grupo de soldados a atravessarem uma vala. Os demais eram assombrosas catapultas que lançavam enormes pedras ou bolas de fogo.

Um forte som chamou a atenção do viajante do tempo. Eram clarins que davam o sinal para milhares de cavalos avançarem, vindos do mesmo local de onde desfecharam as flechas. Em seguida, tocaram centenas de tambores do outro lado. De repente, Caio sentiu a terra tremer. A vibração ficava cada vez mais forte. Quando ele se virou ficou boquiaberto. Era um exército de elefantes com grandes presas. Cada animal carregava, nas suas costas, pequenas torres com dois guerreiros armados. Um guia sentado no pescoço do gigante cutucava com os calcanhares e puxavam as orelhas de um lado para outro. Eles avançaram em cima dos cavalos esmagando tudo a sua frente. A única chance dos cavaleiros foi a ajuda dos arqueiros que se aproximaram e desfechavam dúzias de dardos naquela couraça impenetrável. Como último recurso, começaram a mirar nos guias e quando conseguiam atingir um deles, a fera ficava perdida. Jogava a torre das suas costas no chão e, às vezes, até corria em direção ao seu próprio exército derrubando muitos homens desavisados. Foi comovente ver alguns dos animais voltarem para os seus guias tentando com a sua tromba reanimar o dono.

 

Caio Zip estava tentando descobrir onde estava, quando sentiu a presença de alguém vindo por trás. Era um jovem um pouco mais velho do que ele de cabelos pretos encaracolados, olhos castanhos escuros e com um nariz grande e curvo, vestindo uma túnica branca curta, sandálias de couro e braceletes num dos braços. Junto, estava um soldado parecido com os guerreiros que invadiram a construção. O jovem chegou mais perto e gritou:

- O que está fazendo aí? Quer ser morto?- o estranho começou a puxar o braço do indeciso. - Venha comigo! Vamos sair daqui! Alexandre ainda atacará com o outro grupo para tentar invadir a cidade.

Caio obedeceu e os dois correram em direção a floresta, enquanto o oficial se manteve na retaguarda.  Ao chegarem no topo de uma colina, ficou impressionado. Mais ao norte havia um outro campo. Havia centenas de barracas, milhares de cavalos, bois carregando carroças e homens e mulheres indo de um lado para outro.

Um outro rapaz de cabelos castanhos, olhos verdes, com a pele clara e uma cicatriz no rosto, vestindo roupas mais simples e sem sandálias, se aproximou dos recém-chegados. Olhou para Caio estranhando-o.

- Quem é ele, Calístenes? É um outro pajem? Até que enfim minhas preces foram atendidas. Finalmente, terei uma ajuda nas tarefas. - o jovem deu uma volta em torno de Caio. – Ele deve dar pro gasto. Só vai precisar de uns trapos melhores do que esses. Olha só esse calçado mais esquisito! – verificou o rapaz de olhos verdes ao ver Caio usando um tênis coberto de lama.

Esse traje também é bem diferente, Enelau – observou Calístenes. – Parece uma calça como os persas usam, mas só vai até o joelho e a parte de cima, uma roupa em cima da outra... Que insano! E ainda por cima tão largas. – enquanto os dois amigos fixavam-se na roupa estranha, Caio se sentindo constrangido, tentava fechar ao máximo seu camisão, ocultando a blusa de mangas curtas. – Bem – prosseguiu Calístenes. – Pelo menos a roupa dele parece que só está suja. Não teremos que nos preocupar em arranjar-lhe roupas.

- Que bom – disse Enelau sorrindo. - Já está muito difícil de conseguir uns panos decentes por aqui! Se a tropa Macedônia não trouxer logo os mantimentos, daqui a pouco seremos obrigados a guerrear sem roupa como nos jogos.

- Seja quem for – observou o soldado aproximando-se dos rapazes, frisando a testa. - é um tolo por ficar tão próximo da batalha sem nenhuma arma.

Caio cerrou os punhos e mordeu o lábio, mas para não arranjar briga e ficar sem destino, controlou seu gênio. Esperou que eles continuassem a falar para tentar descobrir onde, ou melhor, em que tempo se encontrava.

- Deixe-o em paz, Pérdicas! - pediu o jovem de cabelos pretos.- Afinal, nem todos vieram aqui para matar. - ele puxou um punhal dourado com o cabo todo trabalhado em ouro debaixo do cinturão e o exibiu. - Antes de sair de Pela, meu tio me pediu para usar este punhal somente se não houvesse outra alternativa. Graças aos deuses, por enquanto, só tive que usá-lo para comer.

- É fácil Aristóteles ser um amante da vida, Calístenes. - enfureceu-se o soldado. - Enquanto ele está tranqüilamente, dando aulas nos jardins do Liceu, nós estamos aqui tentando achar o fim do mundo. – o homem parecia mais nervoso do que antes. - Meus homens estão cansados de terem que lutar numa terra tão selvagem. Esses insetos nos comem vivos!

- Sem contar essas serpentes – interrompeu o jovem pajem. - que já mataram vários homens, mais aqueles tigres famintos, os elefantes pisoteadores, os...

         - O que me deixa mais aflito é saber que essa não será nossa última conquista – confidenciou o soldado. - Alexandre só vai parar, quando tiver conquistado a tudo e a todos.

 

 

              

 

         

Para Alexandre