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Dom Pedro II e Koseritz
>> Na vastidão do mar brasileiro vem acontecer o encontro de Caio Zip com o jornalista alemão Koseritz Unidos, eles estão envolvidos numa grande missão: uma entrevista exclusiva com Dom Pedro II <<
Escrito por Regina Gonçalves e Regis Lima de Almeida Rosa
Trecho do livro " O Tempo e o Vento - o Continente" de Erico Veríssimo
onde Carl Winter conhece Koseritz
( este trecho você também vai encontrar no livro " D. Pedro II e o Jornalista Koseritz" constando na parte final em: Biografias dos Personagens)
Carl Winter gostava de relembrar a série de acontecimentos fortuitos que o haviam trazido de Berlim a Santa Fé, através das mais curiosas escalas. Desembarcara no Rio de Janeiro com o diploma, a caixa de instrumentos cirúrgicos e algum dinheiro no bolso, decidido a estabelecer-se ali, fazer clínica, juntar uma pequena fortuna para um dia - depois que seu governo tivesse indultado os revolucionários e ele conseguido esquecer Trude Weil - retornar à Alemanha. Achou, porém, que o Rio era insuportavelmente quente, tinha um incômodo excesso de mosquitos e mulatos, além da ameaça permanente da febre amarela. Meteu-se com armas e bagagens num patacho que se fazia de vela para a província de São Pedro - que lhe diziam ter um clima semelhante ao do sul da Europa - e desembarcou na cidade do Rio Grande, onde julho o esperou com ventos gelados que cheiravam a maresia e nevoeiros que o lembraram agradavelmente dum inverno que ele passara em Hamburgo, quando adolescente. Apresentou suas credenciais à prefeitura e, sabendo existir na cidade uma grande carência de médicos, ofereceu-se para trabalhar gratuitamente no hospital de caridade local. Foi lá que um dia, fazendo sua visita matinal aos doentes, encontrou deitado num daqueles catres sujos e malcheirosos, num contraste com as caras tostadas dos nativos, um homem louro, extremamente jovem, e de aspecto europeu. Deteve-se, interrogou-o e verificou que se tratava de um alemão que viera com as tropas mercenárias que o governo brasileiro havia contratado para lutar contra os soldados do ditador Rosas. E o pasmo de Winter chegou ao auge quando o moço lhe declarou chamar-se Carl von Koseritz e ser descendente duma família nobre do ducado de Anhalt. Foi, pois, com uma mistura de surpresa e cepticismo que o médico ouviu aquele homem de feições finas, ali estendido num sórdido leito de hospital de indigentes, contar-lhe que seu irmão Kurt fora ministro do duque e sua irmã Tony, dama de honor da duquesa. - Mas como foi que veio parar neste país, nesta cidade, neste hospital? - Fui renegado pela minha família - sorriu o moço. O médico ia perguntar: "Por quê?" - mas conteve-se a tempo. era uma pergunta indiscreta. Talvez o rapaz houvesse falsificado a firma do pai em alguma letra para pagar dívidas de jogo... Ou então, amante de alguma condessa, tivesse sido obrigado a matar o conde num duelo... Von Koseritz, porém, apressou-se a explicar que, sendo estudante em Berlim, se metera, contra a vontade dos pais, na revolução de 48. E acrescentou: - E já que estava em ritmo de guerra, achei melhor vir para cá com os "Brumers" para lutar contra o tirano Rosas. Sabe o que eu era? - perguntou a sorrir com malícia. - Canhoneiro do 2° Regimento de Artilharia! - Suspirou. - Mas aconteceu que a tropa se insubordinou e foi dissolvida. Assim um dia me vi doente e sem recursos nesta cidade estranha. Eis a minha história. Winter olhava para o outro numa confusão de sentimentos. Tudo aquilo lhe cheirava vagamente a ópera-bufa. O rapaz, porém, lhe mostrou os documentos comprobatórios de sua identidade. Tinha um belo nome: Carlos Júlio Cristiano Adalberto von Koseritz. Nascera em 1830: estava portanto com apenas vinte e um anos! - E agora? - perguntou Winter. - Que vai fazer depois que der alta do hospital? - Ficar nesta província. - E plantar batatas como nossos compatriotas de São Leopoldo? - Não. Abrir uma escola e ensinar; fundar um jornal e escrever... - Mas como, se nesta terra se fala o português? - Dentro de pouco tempo estarei habilitado a escrever nessa língua tão bem como na minha. Era assombrosa a certeza que aquele moço tinha de seu futuro. - E sabe duma coisa, doutor? - perguntou Von Koseritz, passando os dedos pela barba loura que lhe cobria o rosto - talvez eu ainda venha a me naturalizar brasileiro... - Mas... e sua família? O outro Carl deu de ombros. - Um dia eles vão compreender que não precisei de seu nome nem de seu auxílio para abrir caminho na vida. Aquele diálogo marcara o início duma boa e sólida amizade. E fora por conselho de Carl von Koseritz que Carl Winter transferira residência de Rio Grande para Porto Alegre. Perguntara-lhe o barão numa carta: "Por que não vai clinicar na bela cidade que os açorianos ergueram às margens dum magnífico estuário e no meio de colinas verdes? Entre as muitas vantagens que ela oferece, tem a de ficar a pequena distância de São Leopoldo, que meu caro amigo poderá visitar periodicamente quando sentir a nostalgia do Vaterland". (...)
Veja AQUI um trecho do Livro Dom Pedro II e Koseritz
Uma conversa animada com Chiquinha Gonzaga, Machado de Assis,Cruz e Souza e muito mais.
Leia os Pensamentos de Koseritz sobre Economia Nacional CLIQUE AQUI
Ouça Heródoto Barbeiro entrevistando Regis Lima De Almeida Rosa um dos autores do livro D. Pedro II e o jornalista Koseritz
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FALE COM OS AUTORES REGINA GONÇALVES REGIS LIMA DE ALMEIDA ROSA
para Pedro II
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