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JÁ
À VENDA NA
Veja AQUI um trecho do LIVRO onde Caio Zip conhece Napoleão
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MEMÓRIAS de
Napoelão Bonaparte
Trecho do livro: Caio Zip, o viajante do tempo, em:
Napoleão Bonaparte na Rússia Como simples cálculos matemáticos podem ser cruciais para tomar decisões estratégicas nesta batalha de impérios Direitos autorais: Regina Gonçalves
Nasci na cidade de Ajaccio, em uma das mais belas ilhas mediterrâneas, a Córsega, em 1769. Esse foi um ano triste, pois foi o ano em que a minha ilha foi conquistada pela França. Meu pai, Carlo Bonaparte, aliou-se aos franceses e ocupou altos postos administração local. Graças à ajuda do governador francês da Córsega, meu pai me inscreveu quando eu tinha dez anos na escola militar de Brienne, na Champanha.
Foi em Brienne que comecei minha luta por um pouco de paz. Hum! Como aqueles garotos da escola ousavam pronunciar o meu nome com acento corso, o que soa como "Napolioné" Na-paille-au-nez ( palha no nariz) Mas pelo menos nem todos me viam como um intruso corso. Foi bom ouvir do meu professor que achava que eu era "uma rocha de granito aquecida por um vulcão”. Como eu batalhei para nas horas dos recreios conseguir construir no pátio da escola minha pequena cabana com folhagens para que não me atrapalhassem nos meus estudos que mais tarde descobriria que me seriam de grande valia para minha próspera carreira. Mas foi na Escola Militar Real de Paris que, estudando com o matemático Monge, minha habilidade com a matemática ficou mais conhecida.
Foi assim, em meio aos intensos exercícios de matemática, que me deixei embriagar pela leitura sobre a conquista da cidade santa pelos cruzados, narrada por Tasso no livro “Jerusalém Libertada”. Fui experimentando então "as primeiras emoções da glória", como assegurei ao conde de Las Cases, o meu memorialista (Memorial de Santa Helena).
Nada escapava à minha grande curiosidade. Além da minha paixão pela matemática, história e geografia, devorei Voltaire, Rousseau, D'Alembert, Mably e o padre Raynal. Com a mesma vontade li e reli os clássicos antigos, especialmente aqueles cujas linhas eram preenchidas pelas mãos de Plutarco e de Tito Lívio. Também fez parte do meu crescimento o meu grande amor pelo teatro francês encenado por Racine, Corneille e Molière.
Sofrimentos... Sofrimentos das guerras não são difíceis para mim. O mais difícil são as batalhas que travo comigo mesmo todo os dias. Depois da morte de meu pai a batalha só aumentou. Eu, com apenas dezesseis anos, eis-me oficial! Mas tendo de cuidar de minha mãe que ficou sozinha para cuidar dos meus irmãos José, Luciano, Carolina, Paulina, Elisa, Luís e Jerônimo com apenas aquele soldo do exército... Isso é o que chamo de grande carga, de um grande passo.
Ah, a revolução! Quando veio a Revolução Francesa, em 1789, a recebi com entusiasmo. Em 1793, a Inglaterra ocupou a Córsega e minha família foi exilada para o porto francês de Toulon. Essa cidade rendeu-se a uma esquadra inglesa, mas eu tive a sorte de ter meu plano de contra-ataque, recusado inúmeras vezes, finalmente aprovado pelo governo francês da época. Toulon foi reconquistada por mim, o capitão-canhão, como haviam me apelidado, e graças a esse grande evento, minha vida mudou, tornei-me general-de-artilharia.
Em 1794 fui preso por causa de minhas conexões políticas, mas logo fui solto, após breves cinco dias, quando o governo da Convenção caiu e o Diretório, muito menos radical, entrou em seu lugar. Quando houve uma rebelião contra o novo governo em Paris, o general comandante das forças leais ao Diretório, Barras, chamou-me para comandar a artilharia do governo. A rebelião foi derrotada e, como recompensa, fui promovido a major-general
Depois da Itália, fui para o Egito. Ah, o Egito! Foi lá que tive a divina inspiração de fazer meu famoso discurso para meus soldados ao lado das pirâmides: “Soldados da França, do alto dessas pirâmides quarenta séculos vos contemplam!” Sim, tentei com todas as minhas forças cumprir minha promessa. A minha missão ao invadir o Egito, desembarcando em Alexandria, era cortar o caminho britânico para a Índia, mas infelizmente meus comandados não tiveram êxito em contornar certos obstáculos.
Ao lado dos mil canhões havia um exército de 175 sábios, tais como: astrônomos, geômetras, matemáticos, químicos, mineralogistas, técnicos, pintores, poetas... Esses homens foram os grandes vitoriosos, pois tiveram que “batalhar” para poderem trazer luz ao antigo Egito. Eu – tal como o conquistador Alexandre, o Grande (que levara, em 334 a.C., um conjunto de especialistas e de filósofos gregos para estudar o Oriente) – queria somar à conquista militar os ganhos científicos que iria revelar ao mundo. Foi assim que abri o Egito aos olhos da ciência européia que iria trazer à luz o passado daquela civilização esquecida e enterrada nas areias milenares.
Soube mais tarde que graças à minha descoberta, desenterrada por um dos meus soldados, a Pedra Roseta como ficou conhecida, proporcionou a chave que permitiu decifrar a escrita hieroglífica egípcia. O texto que aparecia no fragmento basáltico era um elogio a Ptolomeu V e estava escrito em demótico, em grego e em caracteres hieroglíficos. A versão grega permitiu que um homem, a quem tive o prazer de conhecer, Jean François Champollion, decifrasse a escrita egípcia. Este meu achado representou uma contribuição fundamental para a arqueologia egípcia.
Apesar de minhas vitórias em terra, só consegui retornar à França após um ano e meio, pois minha esquadra tinha sido massacrada na batalha naval de Abouquir pelo almirante inglês, a pedra no meu caminho, Horatio Nelson. Todavia, ao tomar conhecimento que o norte da Itália que eu havia conquistado fora recuperado pelos austríacos tomei a sofrida decisão de abandonar meus soldados momentaneamente. Mandei preparar duas fragatas e duas pequenas embarcações e retornei secretamente a Paris. O governo do Diretório pensou em me prender por ter abandonado meu exército no Egito. Como ousariam! Eu já era tão popular, que nada mais podia me barrar!
O Consulado foi o período de 1799 a 1804, no qual eu promulguei uma nova Constituição, reestruturei o aparelho burocrático e criei o ensino controlado pelo Estado. Enfim estava fazendo da França um país cada vez melhor.
Em 1804 promulguei o Código Napoleônico, que garantia a liberdade individual, a igualdade perante a lei, o direito à propriedade privada e o divórcio, e também o primeiro código comercial, que tratava o falido com muito rigor.
Em 1805, decidi adotar o calendário gregoriano novamente. Se realizei um governo ditatorial? Ora só porque impus a censura à imprensa? Se perdesse o controle da imprensa não agüentaria nem mais três meses no poder. Outros me acusaram de usar a repressão policial, com o apoio do meu Exército para reprimir movimentos contra meu governo. Também esses acusadores não entenderam porque tornei as greves ilegais. As pessoas a quem devo temer não são as que discordam, mas as que discordam e são covardes demais para dá-lo a perceber.
Em 1804, após um plebiscito, eu coroei a mim mesmo e a minha Josefine, tomando das mãos do Papa Pio VII a coroa, com o título de Imperador Napoleão I.
Sob o meu comando, a França se tornou o primeiro país da Europa cujo exército deixou de ser uma classe militar vivendo à margem da sociedade. Todo francês podia ser convocado para o exército, um dos lemas herdados da Revolução Francesa foi: todo cidadão é um soldado! Por isso, o país mais populoso da Europa na época, com mais ou menos o mesmo número de habitantes que a Rússia, podia colocar em armas quase tanta gente quanto todos os seus adversários juntos somados. Dizem que cheguei a me gabar, mais tarde, que poderia dar-me ao luxo de perder 30 mil homens por mês, uma quantidade absurda de baixas para a época. Deixem que digam o que quiserem. Os meus soldados sabem como me sinto, pois sempre antes da batalha fazia questão de relatar a verdadeira situação do que estávamos prestes a enfrentar.
Os meus soldados não eram tão bem treinados quanto os inimigos, nem tinham tanta disciplina, mas, em compensação, tinham muito mais iniciativa. Eu sempre disse: muitas batalhas são ganhas por uma simples lembrança de guerras passadas. Eu não sou tão bom estrategista como dizem, apenas sou um estudioso de batalhas ocorridas em tempos idos. Eu conheço todo o desenvolvimento e decisões tomadas pelos notáveis homens que faziam da guerra uma arte, tais como: Alexandre – o Grande, Aníbal – de Cartago, e Átila – Rei dos Hunos.
Eu também gostava de lembrar aos meus generais que não se ganha uma guerra sem cometer erros. Mas, para não serem derrotados, tinham obrigatoriamente de errar menos que o inimigo.
Eu tinha o costume de calcular antecipadamente como seriam minhas guerras e batalhas, e só entrava em combate depois de haver feito um planejamento bastante preciso do que deveria ser feito, o que incluía possíveis modificações em meus planos iniciais, em resposta às ações do inimigo. Uma das coisas que eu fazia bastante uso era de espiões e de patrulhas de cavalaria. Assim eu conseguia sempre descobrir com antecedência o que o inimigo estava fazendo e, se possível, os planos adversários. Gostava de atacar sempre, e nunca deixava o inimigo derrotado recuar em ordem, mandando meus soldados perseguir o inimigo para que ele não pudesse recuperar-se. Depois de uma batalha eu sempre dava aos meus soldados os meus sinceros parabéns pela vitória, mas nunca os deixava descansar; ao contrário, mandava que eles perseguissem o inimigo, para que este não se organizasse, ficando sem poder receber reforços ou novos suprimentos e reiniciar a luta.
Uma das grandes curiosidades dessa minha figura enigmática seria minha apreciação por vinhos. Eu freqüentava Épernay (cidade localizada no coração da região de Champanhe) com tanta freqüência que Jean-Rémy Moët, então dono da Moët & Chandon, construiu duas casas de hóspedes para mim e minha comitiva.
Uma das minhas frases que ficaram famosas em relação a vinhos foi: "Sem vinho, sem soldados. Nas vitórias é merecido, nas derrotas é necessário".
Um vinho tinto foi tão importante na minha vida que um dos donos da firma parisiense encarregada do meu fornecimento sempre me acompanhava nas campanhas militares. Eu elogiava o fato de o Chambertin ser um tinto encorpado e exigia que tivesse de cinco a seis anos de envelhecimento, consumindo meia garrafa por refeição. Mas, fiel a um hábito da infância, misturava-o com um pouco de água.
Reprodução caricatura de James Gillray mostra Napoleão (D) disputando o mundo com o general inglês William Pitt
Vários episódios da minha vida se entrelaçam com minha bebida favorita. Para a ocupação do Egito, por exemplo, levei uma provisão tão grande de Chambertin que não consegui terminar. Retornei à França com ela, em boas condições, e elogiei muito a resistência do vinho. Quando invadi a Rússia, carreguei outro estoque enorme, pois sabia que a campanha seria dura. Com copos do grande tinto festejei a minha vitória contra as tropas do general Kutuzov, na batalha de la Moscova, batalha de Borodino como os vencidos russos a fizeram ficar conhecida e se dizem vitoriosos. Mas, daí por diante, não tive muito a que brindar. Entrei em Moscou e a noite eu a vi em chamas. Esperei a rendição dos russos, mas não veio. Em seu lugar veio o rigoroso inverno russo que obrigou a mim e meu grande exército a recuar. Na operação desastrosa, os inimigos cossacos me tomaram parte do vinho, que especuladores ofereceram mais tarde em Paris como "Chambertin retour de Russie".
Você acredita que fui derrotado em Waterloo, pelo inglês Wellington e o prussiano Blücher, por ter sido a única batalha na qual não levei meu vinho preferido?! Pois acredite, muitos até sustentavam que morri na ilha de Santa Helena, onde fiquei exilado nos últimos seis anos da minha vida, por falta de Chambertin! Como puderam dizer tais zombarias?
É verdade que eu preferia comer com as mãos e nos banquetes oficiais esfregava o pão no molho que sobrara no prato, como se estivesse na minha casa na Córsega. Eu também gostava de receitas vigorosas e pesadas. Eu adorava sopas consistentes e o cozinheiro de origem suíça Dunand, que trabalhou para mim a partir de 1805, esmerava-se nessas preparações Uma das receitas que desenvolveu para mim recebeu nome militar: "sopa do soldado". Era uma mistura de feijão branco, batata, e legumes e era cozinhada com pouco líquido, pois eu a apreciava bem espessa.
Afinal, por que perdi o poder? Mea culpa!
1) O meu grande erro político foi com relação à Inglaterra, meu inimigo número um. A Inglaterra foi o primeiro país do mundo a industrializar-se, e precisava do mercado europeu para vender seus produtos, principalmente tecidos. Como eu queria que a indústria francesa, mais nova e mais fraca, se desenvolvesse, eu fiz o possível para fechar a Europa aos produtos ingleses, o que foi chamado mais tarde de Bloqueio Continental. A família real portuguesa, por exemplo, veio para o Brasil porque os meus exércitos invadiram Portugal como castigo pelo fato dos portugueses ainda estarem negociando com a Inglaterra. Mas esse tipo de ação transformou a minha guerra contra a Inglaterra, numa guerra contra toda a Europa. Tão logo tinha uma vitória, os ingleses conseguiam juntar um novo grupo de países, em coligações, para enfrentar-me de novo. Em 1805, eu estava absorto nos preparativos destinados à invasão da Inglaterra com um formidável exército que reduziria os ingleses a pedaços, mas a grande derrota naval francesa em Trafalgar pôs por terra o meu sonho da invasão. A esquadra inglesa era comandada pelo almirante Horatio Nelson, que morreu nessa batalha, três horas depois de receber um tiro de mosquete de um atirador de elite, um mosqueteiro a bordo do navio Redoutable.
4) A campanha contra a Rússia
Roupa do imperador usada na campanha de 1812
Foi o grande desastre que mudou o rumo das minhas conquistas. Tudo começou com os russos quebrando o acordo com a França de apoiar o Bloqueio Continental contra os ingleses. Os russos, governados pelo Tzar Alexandre, achavam que não seria possível deixar de negociar com a Inglaterra. Por causa dessa quebra de palavra, eu organizei mais uma de minhas expedições militares, a fim de puni-los. Para isso, organizei o Grande Exército, perto de 600 mil homens, que deveriam acabar com a raça dos russos. Os russos me enfrentaram sob o comando do marechal, comandante-chefe, Kutuzov. Apesar de não conseguirem vencer-me na Batalha de de Moscova, e mesmo tendo nós franceses conseguido ocupar a cidade de Moscou, os russos não se renderam. Fiquei a esperar demais pela rendição. Que erro! Já estávamos com falta de suprimentos e o frio estava cruelmente chegando. O frio era um adversário imbatível. A minha recusa em reconhecer que estávamos sumariamente sendo derrotados pelos caprichos da natureza, e até eu e meus homens sentirmos na pele que a Rússia era muito longe da França, longe de tudo que conhecíamos, levou todos os meus planos à bancarrota. O meu exército encontrou-se isolado do mundo, foi ficando sem abastecimentos e, por fim, tivemos que abandonar Moscou. A volta dos meus soldados no inverno, por azar o mais rigoroso dos últimos anos, foi uma catástrofe: no total, o meu exército napoleônico teve mais de 400 mil baixas, e nunca mais voltei a ter um exército tão forte. A guerra na Rússia foi um péssimo negócio. Eu me enganei, não quanto ao objetivo e à oportunidade política dessa guerra, mas quanto à maneira de fazê-la.
A grande decisão: A batalha das Nações
No inverno de 1812-13 houve uma pausa nas lutas para que os exércitos recuperassem suas perdas maciças. Retirei-me até a Alemanha onde consegui reunir 130.000 tropas. Mas, desgraçadamente, uma grande coalizão estava sendo formada contra a França. Os alemães, percebendo que o exército francês tinha sofrido enormes perdas na Rússia, juntaram-se à aliança formada pela Rússia, Inglaterra, Espanha e Portugal. No início, infligi uma série de derrotas aos aliados, culminando com a batalha de Dresden, em 26 de agosto de 1813, que causou quase 100.000 baixas às forças da coalizão, enquanto nós somente tivemos 30.000. Apesar do sucesso inicial, entretanto, os números continuaram a aumentar contra a França, pois a Suécia e a Áustria juntaram-se à coalizão. Fomos derrotados por uma força duas vezes superior na maldita batalha das Nações, em 16 a 19 de outubro em Leipzig. E fomos traídos nessa batalha, pois alguns estados alemães, que ainda estavam do nosso lado, no meio da batalha mudaram para o lado da coalizão, comprometendo inapelavelmente nossa posição. Essa foi de longe, a maior batalha da guerra, a batalha que decidiu definitivamente a guerra e custou mais de 120.000 perdas para os dois lados. Depois dessa derrota, retirei o restante do exército para a França, porém reduzido para menos de 100.000 soldados, logo cercado em território francês por um exército de mais de meio milhão de soldados da coalizão. A diferença era imensa e a derrota tornou-se inevitável. Assim, meus inimigos forçaram-me a renunciar ao trono de Imperador em abril de 1814. Pelo tratado, decidiram exilar-me na ilha de Elba.
O canto do cisne em Waterloo
No ano seguinte, enquanto a Europa decidia seu futuro político no Congresso de Viena, eu consegui arquitetar uma fuga com êxito de minha prisão pouco vigiada, após uma festa onde tive a triste notícia de que minha Josefine falecera. Cheguei na França e dessa vez a resposta de meus inimigos foi rápida: mal tive tempo de preparar um novo exército, tive de enfrentar meus inimigos em novas batalhas a acabei sendo derrotado na Batalha de Waterloo, em 18 de junho de 1815, 100 dias após o meu retorno à França. Três exércitos foram envolvidos na batalha: o francês, um exército multinacional sob o comando de Wellington e um exército da Prússia, comandado por Blücher. Tínhamos ao redor de 69.000 homens, sendo 48.000 de infantaria, 14.000 de cavalaria e 7.000 artilharia, com 250 canhões. Wellington tinha 67.000 homens, com 50.000 de infantaria, 11.000 de cavalaria e 6.000 de artilharia, com 150 canhões, mas ainda contava com a ajuda dos prussianos, que tinham 48.000 homens.
O 18 de junho de 1815 foi um dia injusto para a França. Tinha chovido muito nos dias anteriores, o solo estava muito fofo e assim perdi a mobilidade da minha artilharia, que seria a principal vantagem tática do meu exército naquela batalha e, além disso, os soldados e alguns oficiais, entre eles o meu estimado marechal Ney, estavam emocionalmente esgotados por tantos anos de campanha. Assim, alguns erros de comando ocorreram, como a precipitação do marechal que destruiu completamente a nossa valente cavalaria ao lançá-la a um ataque imprudente e mal planejado contra posições inimigas muito bem protegidas. Meu retorno foi uma tentativa inglória. A verdade é que, mesmo que vencesse em Waterloo, eu não poderia vencer a próxima batalha, porque o exército que estava sendo formado pelos outros países seria insuperável, pois a França estava exaurida após tantos anos de guerra. Eu fui novamente forçado a renunciar ao trono e dessa vez fui levado para uma ilha bem mais distante da Europa, a ilha de Santa Helena. Lá eu envelheci, engordei e fiquei apenas cercado de alguns amigos e de minhas lembranças sobre minhas conquistas... Foi um triste fim para um homem como eu, Napoleão Bonaparte. Morrer seja por um erro médico, seja por envenenamento, é muito desanimador. Por que não consegui morrer num combate? Por que não morri logo pelas mãos dos meus carcereiros ingleses? Eles não tiveram essa ousadia porque temiam meu nome ser exaltado novamente agora sob a forma de mártir? Será? Seja como for, fiz o que deveria ter feito e agora tenho o grande consolo de ver que meus inimigos não conseguiram tirar a minha maior conquista: meu nome foi eternizado na história, junto de homens como Alexandre, o Grande.
O meu legado
Deixo aqui a lista de algumas das minhas inúmeras obras e que a humanidade seja meu testemunho. Fiz grandes reformas internas na França obedecendo ao princípio da igualdade jurídica surgido da revolução francesa. Normalizei as relações do estado francês com a igreja, completei a obra jurídica de codificação das leis – principalmente o avançado, para aquela época que vivi, código civil de 1804. Centralizei e racionalizei a administração em torno da figura do prefeito. Implantei um sistema educativo público amplo e eficaz e inaugurei a Universidade da França. Reorganizei a administração da justiça estabelecendo uma hierarquia única de tribunais estatais. Criei o Banco da França e impus o Franco como unidade monetária nacional.
A MATEMÁTICA NAS ESTRATÉGIAS MILITARES Para mim, o avanço e o aperfeiçoamento da matemática estão ligados à prosperidade do estado. Sempre gostei da matemática. Afinal, ela foi uma grande aliada. Sempre inovadora.
Para fugir dos complicados cálculos usualmente empregados para determinar as melhores posições e assim escapar do fogo da artilharia inimiga, o meu grande professor matemático Gaspard Monge, por exemplo, desenvolveu uma técnica revolucionária. Ele me contou que ainda adolescente, após fazer um mapa elogiado por especialistas, foi incentivado a ingressar na escola militar, onde desenvolveu sua técnica para representar no papel as manobras militares, de tal forma que nada ficasse sob a mira do inimigo. Ao perceberem a genialidade e a importância bélica do novo método, os militares o mantiveram em segredo por 15 anos. Só era permitido ensiná-lo aos futuros engenheiros militares. Somente em 1794, em plena Revolução Francesa, Monge pôde divulgar sua invenção em escolas civis de Paris. Assim começou o estudo da geometria descritiva, que hoje vejo se aplica não só na engenharia, em desenhos e projetos técnicos, mas também nas artes e nessa tal fotografia. Afinal, quadros e fotografias são projeções, e geometria descritiva é na verdade um estudo das perspectivas. O matemático, além de ter sido meu professor, foi um grande amigo, chegando a me acompanhar na invasão do Egito. Monge é pouco conhecido ou lembrado nos dias mortais de hoje. Mas ele está por trás de quase todos os projetos de engenharia e de todos os livros e trabalhos de geometria descritiva. Como membro Académie des Sciences participou juntamente com Legendre, Carnot, Condorcet e Lagrange do famoso Comitê de Pesos e Medidas (1790-1799) que implantou o sistema decimal de pesos e medidas.
( trecho do livro Caio Zip, o viajante do tempo, Napoleão Bonaparte na Rússia)
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Quem mais senão os britânicos
Todas as coalizões, as guerrilhas na Espanha, o exército
russo... Tudo isso foi financiado pelo ouro inglês.
Os atentados contra a vida de Bonaparte também tinham o dedo
inglês no gatilho.
Por muito tempo Napoleão combateu seus fervorosos adversários, usando como arma, a censura prévia na imprensa. Dessa forma, Napoleão acreditava que estava ocultando de seus súditos a verdadeira situação militar, política e econômica. Como contra-ataque os jornais ingleses, que se mantinham fora de alcance do ditador, publicavam e espalhavam por toda Europa boatos, caricaturas e principalmente notícias sobre a grande derrota napoleônica em Trafalgar.
Arthur Wellesley, o famoso duque de Wellington apesar de não ser inglês, ele era irlandês, foi uma 'pedra na bota', especialmente para os marechais de Napoleão, que tomaram surra atrás de surra na Guerra Peninsular em Portugal e na Espanha em 1814. Numa série de batalhas, o duque sucumbiu os franceses e obrigou Napoleão a manter um enorme exército na Espanha. Contudo a fama do duque atingiu o topo depois do seu maior feito militar que consistiu na derrota definitiva imposta às tropas de Napoleão Bonaparte em Waterloo em 1815
Horatio Nelson também foi uma verdadeira rocha, bloqueando nas águas
todas as investidas de Napoleão, obrigando-o sempre a mudar seus
planos. Assim foi no Egito, na batalha do Nilo como na batalha de
Trafalgar.
Sem o ouro, a perseverança, o controle dos mares e a capacidade comercial e industrial dos ingleses, certamente, as engrenagens das rodas do tempo tomariam um novo rumo e, quem sabe, Napoleão teria morrido sentado em seu trono.
Napoleão ainda
em seu exílio foi prisioneiro de ingleses e em seu testamento de 1821 deixou
isso bem claro:
Erro médico matou Napoleão
PARIS - Após as teses de assassinato e doença como causas da morte de Napoleão Bonaparte, agora um estudo dos EUA reivindica que o imperador francês morreu devido a um erro médico.
A
pesquisa que será publicada na revista britânica New Scientist
confirma a tese divulgada em 2002, na qual se eliminava a
possibilidade de assassinato por arsênico, porque os restos da substância
que estava no cabelo de Napoleão eram de origem exógena. Eram,
portanto, de cola, pintura ou armas de fogo e não foram ingeridos.
O coordenador da pesquisa, Steven
Karch, afirma que o imperador morreu por excesso de zelo de seus médicos,
que lhe aplicavam doses fortes do medicamento composto de potássio e
antimônio contra a dor da úlcera. O remédio induz ao vômito e pode
provocar problemas cardíacos e de irrigação do cérebro.
Os arquivos mostram que, às vésperas de sua morte, 05/05/1821, na Ilha de Santa Elena, aplicavam-lhe 600 mg do medicamento cinco vezes ao dia. Isso aumentou seus níveis de potássio e o matou em 5 de maio de 1821, aos 51 anos. (artigo do Jornal do Brasil 23/07/04)
Napoleão Bonaparte na Rússia
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