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                         1745 - 1813

 

 

 

Nasceu em 1745, filho do engenheiro militar, general aposentado, Illarion Matveevich Kutuzov.Quando jovem, teve um treinamento excelente que o fez se destacar entre os outros cadetes da Escola de Engenharia Militar. Na idade de 19 anos, Kutuzov iniciou seu serviço militar.Em 1764, quando as tropas russas foram a Polônia, capitão Kutuzov foi transferido para o Exército de atuação. Em 1764, 1765 e 1769, ele tomou parte em alguns combates pequenos, se acostumou à vida de campo, mas como ele mesmo dizia: "Eu ainda não entendo a guerra".


Em 1770, Kutuzov foi transferido para o Exército do Rumyantsev que estava lutando contra os turcos em Moldavia e Valakhia. Kutuzov estava no Corpo de exército do General Bour e executou suas ordens com muita competência e tarefas muito importantes durante toda a batalha. Mais adiante, foi transferido para o Exército da Criméia. Nessa época, sofreu com as intrigas de seus colegas. Esse evento fez um rastro fundo em sua alma. Daquele tempo em diante, foi tornando-se cada vez mais reservado e desconfiado. Na batalha em Alushta, Kutuzov ficou seriamente ferido. Uma bala turca o atingiu na cabeça, mas por sorte não atingiu o cérebro e logo se recuperou. Algum tempo depois, durante uma outra investida turca,  Kutuzov foi novamente ferido. A bala perfurou quase no mesmo lugar que em seu primeiro ferimento. Os médicos pensaram que dessa vez era fatal, mas Kutuzov conseguiu se recuperar, entretanto seu olho direito ficou comprometido. Tomou parte no ataque à grande fortaleza de Tukrish Izmail sob as ordens de Suvorov. Depois de ocupar Izmail, Kutuzov foi designado comandante de Izmail e chefe das tropas. 

Em 1793 a nova fase de vitalício de Kutuzov começou. Ele se tornou um diplomata: o Embaixador russo Extraordinário em Istambul e mostrou-se como um diplomata muito talentoso. Em 1801, o soberano russo Pavel foi assassinado e seu filho Alexander se tornou o Imperador. Mas as condições no Exército não ficaram melhores. Houve algumas reformas, mas elas eram só sobre pensões e partidos. A situação continuou muito ruim.

 

Em 1805 a Rússia foi pela primeira vez ameaçada pelas tropas de Napoleão. A Áustria e a Inglaterra estavam em uma situação muito difícil. Uma coalizão com a Inglaterra, Rússia e Áustria foi formada contra a França napoleônica.
O imperador Alexander estava na liderança, mas acabou pedindo para Kutuzov comandar o Exército. Em 20 de novembro de 1805, na cidade Tcheca de Austerlitz, aconteceu a grande batalha vencida pelos franceses. Alexander I comandou o Exército russo, embora o Comandante supremo nominalmente fosse Kutuzov. O cálculo de Alexander era muito simples: se a batalha fosse ganha ele seria o vencedor glorioso, senão, Kutuzov agüentaria a responsabilidade por isso.

Em 1807, a Rússia teve que fazer um tratado de paz em Tilzit chamado depois de "a paz de Tilzit". Anos depois, na invasão da Rússia pelas tropas napoleônicas, Kutuzov foi designado Comandante supremo 10 dias antes do Exército entrar na batalha de Borodino, no fim de agosto, 1812. Um pouco antes deste compromisso, Kutuzov, o sereníssimo, como estava sendo chamado por todos, estava apenas como chefe militar em St.Petersburg treinando e recrutando milicianos.


A batalha de Borodino começou em 26 de agosto, às 5 da manhã, e durou mais ou menos 15 horas. Em 27 de agosto, às 2 da manhã ,o Exército russo deixou o campo da batalha  em duas colunas retrocedidas para Mozhaysk na aldeia de Zhukovo. A vanguarda francesa não podia ocupar Mozhaysk de uma vez, e só em 28 de agosto Napoleão entrou em Mozhaysk. Eles ficaram lá por 3 dias com suas tropas de apoio. A sede do Kutuzov estava na aldeia de Fili. Na cabana do camponês A.S.Frolov foi feito um Conselho de Guerra, todos os generais russos estavam presentes nessa ocasião. Havia só uma pergunta a ser respondida: "Nós devemos dar batalha ou render nossa capital russa sem luta?"


O comandante-chefe era um grande estrategista, no entanto se encontrava no meio de uma luta desigual. Além de sofrer, como Napoleão, com as centenas de informações sobre a marcha das batalhas que  chegavam atrasadas, ainda por cima eram imprecisas. No calor da batalha é impossível obter dados corretos. Suas ordens, por exemplo, eram transmitidas de boca em boca pelos jovens mensageiros, e assim, distorcidas. Como se isso não bastasse ainda tinha que enfrentar a luta pelo poder em sua volta, armada com intrigas, dúvidas sobre seu comando, calúnias, ameaças, pressões do Imperador...


E como diria Kutuzov, pelo menos na série Caio Zip:
- "A guerra não é uma coisa organizada, uma mesa cheia de mapas, cálculos e recheada de  informações precisas. Ela é horrível e cheira mal. A verdadeira guerra é feita de espionagens, de intrigas, de traições, de armadilhas, mentiras e boatos que são chamados por alguns de astúcia ou estratégia militar. Eu não vou tomar nenhuma decisão para satisfazê-los."


 Kutuzov ouviu todas as propostas e disse: “Nenhum russo será perdido para acabar numa rendição de Moscou.” Propôs salvar o Exército e não dar batalha, esperar reforços próximos e "render Moscou para preparar a morte para o inimigo". Após muita discussão, o Exército russo foi ordenado a retroceder ao longo da estrada de Ryazan.


Em 2 de setembro, depois de deixar Moscou, o Exército russo ficou na aldeia de Panki. No próximo dia, continuou sua retirada e foi para a velha estrada de Kaluga para esperar novas tropas de apoio.


Em 8 setembro, o Exército russo parou próximo da aldeia de Krasnays Pakhra e então, depois de mais uma marcha, acampou na aldeia de Tarutino.

Kutuzov ficou ocupado com os soldados, tentando diminuir as condições dolorosas em que se encontravam: sem botas, sem roupas quentes, sem teto, dormindo na neve sob uma temperatura de 18 graus abaixo de zero, com provisões insuficientes e irregularmente distribuídas, devendo apresentar o espetáculo mais desolador imaginável. Como bom militar usava cálculos e regras, como uma simples regra de três, que envolve o estudo de proporções, não só para definir suas estratégias, mas também as usava  para garantir o máximo de dias que duraria o abastecimento de provisões ao exército, verificar a situação de abastecimento e armas do inimigo, e muito mais. Enfim, todo conhecimento matemático era bem vindo e valioso para alguém que desejava alterar  condições tão desvantajosas e, dessa forma, sair vitorioso de uma guerra.

 

Apesar das condições materiais do exército russo e de não conquistarem a vitória na batalha de Borodino, o moral mantinha-se mais forte do que nunca. O Exército russo conseguiu os reforços necessários e começou a atacar o Exército francês, que já havia deixado Moscou naquele tempo. Com grandes perdas, Napoleão retrocedeu devagar para Berezina e assistiu a morte lenta da maior parte do seu grande exército por frio e fome. Para Kutuzov, a guerra contra Napoleão estava acabada quando o Marechal francês Ney com suas tropas cruzou o Neman e deixou o território russo. Mas para Alexander I, foi apenas o início. Continuava, assim, a velha discordância entre o Imperador e o velho Marechal de Campo, comandante-chefe.


A Rússia já tinha sido salva, mas ainda imperava uma necessidade de salvar a Europa. Seria melhor fazer a paz com Napoleão e deixar os europeus lutarem sozinhos por sua liberdade? E deviam deixar a Grã-Bretanha lutar por sua era industrial, seu comércio, sem ajuda também?
"Sim, nós devemos salvar a Europa e ajudar a Inglaterra" - respondeu Alexander
"Não!" - disse Kutuzov.


Logo depois da libertação da Rússia, Kutuzov adoeceu seriamente. Um pouco antes de sua morte, Alexander I foi vê-lo e pediu o seu perdão por seu comportamento ruim para com o velho general. Kutuzov lhe respondeu: “Certamente eu o perdôo, mas será que a Rússia o perdoará, Majestade?"


Em 28 de abril de1813, M.I.Kutuzov morreu na cidade de Bunzlau. Um mês e meio depois, o caixão com seu corpo foi levado para St.Petersburg. Antes de chegarem a cidade, os cavalos foram desatrelados e as pessoas continuaram com o caixão do sereníssimo nos ombros até chegarem à Catedral de Kazan, onde foi solenemente enterrado.

 

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