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Karl Julius Christian von Koseritz
Koseritz é um dos personagens
de "O TEMPO E O VENTO - o Continente" de Érico Veríssimo
Veja um trecho do livro
Carolina Koseritz
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Karl Von Koseritz
do Rio de Janeiro. <<
Jornalista
e político, lutou pela abolição da escravidão e se destacou
na defesa dos direitos políticos dos imigrantes.
Também teve destaque como
Ainda
adolescente
já começa a demonstrar seu espírito engajador ao
participar em Berlin de uma barricada a favor de uma constituição à
Prússia. Alista-se aos quinze anos como soldado mercenário para
lutar nas batalhas entre os condados da Dinamarca.
Seu
pai, um barão, interna o agitado rapaz no Ginásio de Wittenberg, mas
não é o suficiente para amainá-lo.
1850
Movido pelas imagens de um desbravar uma região exótica decide
embarcar para o Brasil como marinheiro do navio Diana. Foi uma estadia
curta, mas que formou raízes naquele jovem para sempre. 1851 Chega com os Brummer - cerca de 1800 soldados mercenários alemães, contratados pelo Governo Imperial Brasileiro para lutar na Campanha contra Juan Manoel Rosas, o ditador da Argentina. Ainda veio como marinheiro, mas não por muito tempo.
Koseritz
se juntou aos soldados, vai
para o Rio Grande do Sul e dali segue para um quartel em Pelotas.
Muitos desertaram com a conivência das autoridades. Cerca de vinte por cento morreram de frio, por desnutrição ou doenças decorrentes da Carência alimentar. Apenas 450 aguardaram o término do contrato engajados no exército. Eles permaneceram no Rio Grande do Sul, atraídos pelos núcleos alemães no Sul e pelas novas colônias que se abriram depois de 1850, onde receberam terras. Os Brummer exerceram influência nos locais onde se estabeleceram, trabalhando como comerciantes, diretores de colônias, agrimensores, professores ou agricultores.
Koseritz
é um dos que se dispersa e vive sem dinheiro, aceita emprego como cozinheiro, jornaleiro
e acaba ficando doente. É internado como indigente no hospital
municipal.
Restabelecido,
regulariza sua situação no país, dedica-se a aprender português e
tornar-se professor particular dando
lições de alemão, francês, inglês,
gramática da língua vernácula, aritmética comercial, escrituração
mercantil, matemáticas, história e geografia.
Casa-se co a filha de um estancieiro, e emprega-se como contabilista e mais tarde correspondente do jornal Der Deutscher Einwanderer (O imigrante alemão) de Porto Alegre.
1856, na cidade de Pelotas atua como professor do Colégio União, educandário dirigido por seu amigo Telêmaco Bouliech.
1857, transfere-se para Rio Grande onde passa a ministrar aulas no Colégio de Thibaut, além de fundar e dirigir o Ateneu Rio Grandense, nessa mesma cidade, instituição de ensino primário e secundário.
Em março de 1858, é contratado para ser redator do jornal O Brado do Sul, jornal diário, propriedade de Domingos José de Almeida; que exerce até outubro, quando é impedido de continuar trabalhando pela sua condição de estrangeiro. Nesta ocasião sustentou acirrada polêmica com Isidoro Paulo de Oliveira, que escrevia para O Noticiador, segundo jornal mais antigo da cidade. Tão tensa foi essa "troca de ideias" que um dia Koseritz sofreu brutal espancamento, na rua, por três homens a cavalo, sendo recolhido à Santa Casa com ferimentos graves.
1859 Reassumiu suas funções em março e se naturalizou brasileiro. Sofreu vários atentados políticos graças a sua voz que não se calava contra o partido dominante.
1863 Mesmo tendo conquistado fama e reconhecimento, estando na direção do Ateneu, é acusado de “perverter a juventude” por suas ideias liberais por parte da população e da imprensa oposicionista.. Os jornais “Diário de Rio Grande” e “O Comercial”, durante meses abordaram o caso. Por sua vez, o “Echo do Sul”, de seu amigo Bernardino de Moura, sai em sua defesa.
1864
Frente a tal
situação e sofrendo perseguições, transfere-se definitivamente para
Porto Alegre. E
Sofre vários atentados políticos graças a sua voz que não se
cala contra o partido dominante, Os Progressistas.
Sua
vida na imprensa é extensa, pois ele funda vários jornais durante sua
vida, especialmente A Gazeta de Porto Alegre.
1870
é condenado injustamente à prisão por delito de imprensa. Publica “Resumo de Economia Nacional"
1881
Lança o
seu grande jornal: "Koseritz Deutsche Zeitung"
1883
é eleito com maioria de votos para a Assembleia Provincial.
Destaca-se como orador e incentivador da integração entre teutos e
lusos.
Nessa época viaja para o Rio de Janeiro sendo recebido pelo Imperador D Pedro II . Nestas ocasiões, sempre tem a preocupação de relatar as condições de vida que se encontram os imigrantes alemães no sul e defender com que fosse estimulada a imigração de pessoas livres que trouxessem consigo a semente do progresso para ser plantada na agricultura, na indústria e no comércio. Todos que pudessem desenvolver o país que aprendeu a amar como sua pátria.
Koseritz prossegue esta a viagem até São Paulo.
Esta
viagem foi descrita com todos os detalhes pelo jornalista, que se achava
no Rio como deputado provincial, em crônicas no seu jornal
"Koseritz
Deutsche Zeitung". Mais
tarde tornou-se o livro "Imagens do Brasil" traduzido para o
português por Afonso Arinos de Mello Franco. Este livro relata com
grande riqueza os costumes e as preocupações políticas e sociais da
época. Um diário muito esclarecedor. É interessante ler, por exemplo,
sua impressão sobre sua viagem de trem entre Raiz da Serra e Petrópolis,
pouco tempo depois da linha ser inaugurada, sendo que ele ainda
percorreu um trecho da Estrada de Ferro Mauá.
Mais detalhes sobre essa emocionante aventura na
página “A
história dos Trilhos”
1889
Lá vem a República
Monarquista
convicto, pois acreditava que o Brasil não funcionaria com a implantação
de uma República, é preso a 14 de maio de 1890 e mantido em prisão
domiciliar sob a mira das armas.
Apesar
de se encontrar sob terrível pressão, Koseritz ainda se preocupa em
colocar tudo que lhe acontece no seu último artigo horas antes de
morrer, de um súbito ataque cardíaco, aos 56 anos de idade.
INÍCIO
DO ARTIGO
“Antes
de partir para a viagem que tenho de encetar, forçado pelo estado de saúde
de pessoas de minha família, que sofreram imenso abalo moral com a
minha violenta e arbitrária prisão
e com os sucessos que à mesma se seguiram cumpro um sagrado dever,
restabelecendo a verdade dos
fatos vilmente deturpados pela FEDERAÇÃO, que, depois de haver
conseguido a minha ilegal detenção, veio ainda cuspir o vilipêndio
sobre a vítima de sua covarde vingança escarnecendo dela e atribuindo
a minha prisão ao humanitário desejo de salvar minha vida, ameaçada
pela INDIGNAÇÃO POPULAR e por inimizades particulares.
O
público vai ver como desempenharam-se dessa tarefa os indivíduos
encarregados da execução das ordens emanadas na manhã de 14 de maio
se 1890, do escritório da FEDERAÇÃO.
Passo
a narrar minuciosamente tudo quanto ocorreu...
(...)
Acabava
de almoçar, quando bateram à porta da rua que estava fechada, e, indo
uma das minhas filhas abri-la, recuou com um brado de terror ao ver
pessoas desconhecidas,acompanhadas de diversas praças armadas.
(...)
-
Preso, como?
-
O senhor está preso!
-
Mas por ordem de quem?
-
Por ordem do governador!
-
Quem é este governador?
-
O senhor general Júlio Anacleto Falcão da Frota! O senhor
general foi aclamado pelo povo e pela força pública, que depôs o Sr
Silva Tavares; estabeleceu-se afinal a verdadeira república, até aqui
só tivemos a anarquia. Mas a visa do preso está garantida porque a república
é generosa.
(...)
Só um grande rebelde, sentenciado a morte,
ou algum malvado assassino, candidato à forca, pode ser guardado como
eu fui no primeiro dia, por seis soldados de carabina Spencer em punho,
ficando um deles sentado a seis passos de distância de minha pessoa,
com a carabina apontada para mim. E isto em presença de minha mulher e
de quatro filhas, desfeitas em pranto e julgando o seu pai morto ao
primeiro movimento que fizesse.
(...)
FINAL
Desde
15 de novembro ocupei meu posto de honra na direção da imprensa do meu
partido, sem um momento de hesitação, sem a ideia de um receio,
cumprindo o meu dever em toda a sua extensão.
Se
hoje, temporariamente me afasto deste posto não é porque me faleça o
ânimo para a luta, nem porque desespere do futuro desta heróica terra,
que incólume atravessará todas as provações que acima do meu dever
de cidadão, está o meu dever de pai, que me obriga a precaver a vida
de fracas meninas, já profundamente afetadas por contínuos sustos e
terrores, principalmente nos últimos dias de prisão, que comigo
partilham, contra novos abalos.
Não
fujo, não abandono meu posto de combate, e a ele voltarei, logo que as
circunstâncias o permitirem.
Porto
Alegre 30 de maio de 1890 C. V. Koseritz.
(Horas depois morre de ataque cardíaco.) .
CONCLUSÃO
A atividade marcante foi sem dúvida o jornalismo, mas também desbravou terrenos atuando como professor, literato, homem da ciência, como sua coleção de etnias e também como político. Tudo isso sempre com a determinação de um brasileiro que acabou se tornando, atento aos problemas do país.
1 Sobre a data de nascimento de Koseritz, existem divergências nas bibliografias consultadas. Seguimos então uma autobiografia afirmando que, em 1852, tinha a idade de 22 anos, razão pela qual optou-se por esta sendo a data mais precisa.
Carolina Von Koseritz
Carolina nasceu em 23 de outubro de 1865 no Rio Grande do Sul. Filha de Carlos Koseritz herdou do pai jornalista alemão o gosto pelas letras o que a fez ser a mais próxima das três filhas, pois muito jovem começou a secretariar seu pai ao mesmo tempo em que estreava com seus contos e suas traduções como do escritor Goethe.
No jornal do Comércio
publicou “O grito da Lareira”, conto de Charles Dickens. Seus contos
“A vingança das Flores, “A flor fenecida” “ O leito nupcial”
foram publicados no Jornal do Comércio.
Prossegue com seus trabalhos e escreve “Episódio obscuro”
abordando aspectos da revolução de 1935.
Após
a morte de seu pai em 1890, após o confinamento domiciliar imposto
pelos a favor da república recém instalada defende com um espírito de
pura coragem o nome de seu pai ultrajado pela Federação. Seu repto
saiu nos jornais da Capital nacionais e de língua alemã o qual seu
efeito imediato foi calar os opositores.
Bibliografia
KOSERITZ,
Carl von. Imagens do Brasil. Tradução de Afonso Arinos de Mello
Franco. 1941. Biblioteca Histórica Brasileira, Livraria Martins
Editora. Texto Original "Bilder aus Brasilien", editado na
Alemanha em 1885 Memórias de Brummer -- Flores, Hilda Agnes .
Leia um trecho deste livro: ENTREVISTA com D. PEDRO II
Leia os Pensamentos de Koseritz sobre Economia Nacional CLIQUE AQUI
Ouça Heródoto Barbeiro entrevistando Regis Lima De Almeida Rosa um dos autores do livro D. Pedro II e o jornalista Koseritz
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