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Karl Von Koseritz

 

>> Na série Caio Zip, o viajante do tempo entra no espetáculo do Império de Dom Pedro II e acaba conhecendo o jornalista Koseritz, e mais sua filha Carolina, que tem a missão de entrevistar Sua Majestade na corte

 do Rio de Janeiro. <<

 

 

Jornalista e político, lutou pela abolição da escravidão e  se destacou na defesa dos direitos políticos dos imigrantes.

 

Karl Julius Christian von Koseritz, ou como ele gostava, Carlos Koseritz, nasceu em 3 de fevereiro de 18301 em Dessau.

 

Ainda adolescente já começa a demonstrar seu espírito engajador ao participar em Berlin de uma barricada a favor de uma constituição à Prússia. Alista-se aos quinze anos como soldado mercenário para lutar nas batalhas entre os condados da Dinamarca.

Seu pai, um barão, interna o agitado rapaz no Ginásio de Wittenberg, mas não é o suficiente para amainá-lo.

 

1850 Movido pelas imagens de um desbravar uma região exótica decide embarcar para o Brasil como marinheiro do navio Diana. Foi uma estadia curta, mas que formou raízes naquele jovem para sempre.  

1851 Chega com os Brummer - cerca de 1800 soldados mercenários alemães, contratados pelo Governo Imperial Brasileiro para lutar na Campanha contra Juan Manoel Rosas, o ditador da Argentina. Ainda veio como marinheiro, mas não por muito tempo.

Koseritz se juntou aos soldados, vai para o Rio Grande do Sul e dali segue para um quartel em Pelotas.


A Maioria delsses mercenários alemães não chegaram a combater porque, quando alcançaram o território conflagado, a guerra já tinha terminado. A vitória do Brasil foi mais diplomática do que militar nesse conflito, instigando os caudilhos das províncias argentinas e financiando o exército uruguaio, que derrotaram Rosas na batalha de Monte Caseros, em 1852.

Muitos desertaram com a conivência das autoridades.
Cerca de vinte por cento morreram de frio, por desnutrição ou doenças decorrentes da Carência alimentar.

Apenas 450 aguardaram o término do contrato engajados no exército. Eles permaneceram no Rio Grande do Sul, atraídos pelos núcleos alemães no Sul e pelas novas colônias que se abriram depois de 1850, onde receberam terras. Os Brummer exerceram influência nos locais onde se estabeleceram, trabalhando como comerciantes, diretores de colônias, agrimensores, professores ou agricultores.

 

 Koseritz é um dos que se dispersa e vive sem dinheiro, aceita emprego como cozinheiro, jornaleiro e acaba ficando doente. É internado como indigente no hospital municipal.  

Restabelecido, regulariza sua situação no país, dedica-se a aprender português e tornar-se professor particular na propriedade de um estancieiro.

 Casa-se co a filha do estancieiro, e emprega-se como contabilista e mais tarde correspondente do jornal Der Deutscher Einwanderer (O imigrante alemão) de Porto Alegre.  

1856 Funda com um amigo um colégio misto, mas suas idéias liberais não são bem recebidas por parte da população e da imprensa oposicionista. Publica contos, peças infantis e um livro “Resumo da História Universal

Em março de 1858, é contratado para ser redator do jornal O Brado do Sul, jornal diário, propriedade de Domingos José de Almeida;  que exerce até outubro, quando é impedido de continuar trabalhando pela sua condição de estrangeiro. 

Nesta ocasião sustentou acirrada polêmica com Isidoro Paulo de Oliveira, que escrevia para O Noticiador, segundo jornal mais antigo da cidade. Tão tensa foi essa "troca de idéias" que um dia Koseritz sofreu brutal espancamento, na rua, por três homens a cavalo, sendo recolhido à Santa Casa com ferimentos graves.

Reassume as funções em março de 1859, ano em que naturaliza-se brasileiro. 

 

Sofre vários atentados políticos graças a sua voz que não se cala contra o partido dominante, Os Progressistas.  

 

1864 transferiu-se para Porto Alegre, onde editou vários jornais, empenhando-se na política de imigração e na adaptação dos imigrantes ao cotidiano da Província, e onde viveu mais 26 anos.

Sua vida na imprensa é extensa, pois ele funda vários jornais durante sua vida, especialmente A Gazeta de Porto Alegre.

Em 1870 é condenado injustamente à prisão por delito de imprensa.  

1881 Lança o seu grande jornal: "Koseritz Deutsche Zeitung" (Jornal alemão de Koseritz),

Em 1883 é eleito com maioria de votos para a Assembléia Provincial. Destaca-se como orador e incentivador da integração entre teutos e lusos.

Nessa época viaja para o Rio de Janeiro sendo recebido pelo Imperador. Nestas ocasiões, sempre tem a preocupação de relatar as condições de vida que se encontram os imigrantes alemães no sul e defender com que fosse estimulada a imigração de pessoas livres que trouxessem consigo a semente do progresso para ser plantada na agricultura, na indústria e no comércio. Todos que pudessem desenvolver o país que aprendeu a amar como sua pátria.

 

Koseritz prossegue esta a viagem até São Paulo.

 

Esta viagem foi descrita com todos os detalhes pelo jornalista, que se achava no Rio como deputado provincial, em crônicas no seu jornal "Koseritz Deutsche Zeitung". Mais tarde tornou-se o livro "Imagens do Brasil" traduzido para o português por Afonso Arinos de Mello Franco. Este livro relata com grande riqueza os costumes e as preocupações políticas e sociais da época. Um diário muito esclarecedor. É interessante ler, por exemplo, sua impressão sobre sua viagem de trem entre Raiz da Serra e Petrópolis, pouco tempo depois da linha ser inaugurada, sendo que ele ainda percorreu um trecho da Estrada de Ferro Mauá.

Mais detalhes sobre essa emocionante aventura na página “A história dos Trilhos

 

1889 Lá vem a República

 

Monarquista convicto, pois acreditava que o Brasil não funcionaria com a implantação de uma República, é preso a 14 de maio de 1890 e mantido em prisão domiciliar sob a mira das armas. 

Apesar de se encontrar sob terrível pressão, Koseritz ainda se preocupa em colocar tudo que lhe acontece no seu último artigo horas antes de morrer, de um súbito ataque cardíaco, aos 56 anos de idade.

 

INÍCIO DO ARTIGO

 

“Antes de partir para a viagem que tenho de encetar, forçado pelo estado de saúde de pessoas de minha família, que sofreram imenso abalo moral com a minha violenta e arbitrária  prisão e com os sucessos que à mesma se seguiram cumpro um sagrado dever, restabelecendo a verdade  dos fatos vilmente deturpados pela FEDERAÇÃO, que, depois de haver conseguido a minha ilegal detenção, veio ainda cuspir o vilipêndio sobre a vítima de sua covarde vingança escarnecendo dela e atribuindo a minha prisão ao humanitário desejo de salvar minha vida, ameaçada pela INDIGNAÇÃO POPULAR e por inimizades particulares.

O público vai ver como desempenharam-se dessa tarefa os indivíduos encarregados da execução das ordens emanadas na manhã de 14 de maio se 1890, do escritório da FEDERAÇÃO.

Passo a narrar minuciosamente tudo quanto ocorreu...

                         (...)

 Acabava de almoçar, quando bateram à porta da rua que estava fechada, e, indo uma das minhas filhas abri-la, recuou com um brado de terror ao ver pessoas desconhecidas,acompanhadas de diversas praças armadas.

                        (...)

-         Preso, como?

-         O senhor está preso!

-         Mas por ordem de quem?

-         Por ordem do governador!

-         Quem é este governador?

-         O senhor general Júlio Anacleto Falcão da Frota! O senhor general foi aclamado pelo povo e pela força pública, que depôs o Sr Silva Tavares; estabeleceu-se afinal a verdadeira república, até aqui só tivemos a anarquia. Mas a visa do preso está garantida porque a república é generosa.

                                   (...)

 

     Só um grande rebelde, sentenciado a morte, ou algum malvado assassino, candidato à forca, pode ser guardado como eu fui no primeiro dia, por seis soldados de carabina Spencer em punho, ficando um deles sentado a seis passos de distância de minha pessoa, com a carabina apontada para mim. E isto em presença de minha mulher e de quatro filhas, desfeitas em pranto e julgando o seu pai morto ao primeiro movimento que fizesse.

                                 (...)

 

FINAL

 

Desde 15 de novembro ocupei meu posto de honra na direção da imprensa do meu partido, sem um momento de hesitação, sem a idéia de um receio, cumprindo o meu dever em toda a sua extensão.

Se hoje, temporariamente me afasto deste posto não é porque me faleça o ânimo para a luta, nem porque desespere do futuro desta heróica terra, que incólume atravessará todas as provações que acima do meu dever de cidadão, está o meu dever de pai, que me obriga a precaver a vida de fracas meninas, já profundamente afetadas por contínuos sustos e terrores, principalmente nos últimos dias de prisão, que comigo partilham, contra novos abalos.

Não fujo, não abandono meu posto de combate, e a ele voltarei, logo que as circumstâncias o permitirem.

 

Porto Alegre 30 de maio de 1890 C. V. Koseritz. 

 

 (Horas depois morre de ataque cardíaco.)

.

 

 CONCLUSÃO

A atividade marcante foi sem dúvida o jornalismo, mas também desbravou terrenos atuando como professor, literato, homem da ciência, como sua coleção de etnias e também como político. Tudo isso sempre com a determinação de um brasileiro que acobou se tornando, atento aos problemas do país.

 

 1 Sobre a data de  nascimento de Koseritz, existem divergências nas bibliografias consultadas. Seguimos então  uma  autobiográfia afirmando que, em 1852,  tinha a idade de 22 anos, razão pela qual optou-se por esta sendo a data mais precisa.

  

 

 

Carolina Von Koseritz

 

Carolina nasceu em 23 de outubro de 1865 no Rio Grande do Sul. 

Filha de Carlos Koseritz herdou do pai jornalista alemão o gosto pelas letras o que  a fez ser a mais próxima das três filhas, pois muito jovem começou a secretariar seu pai ao mesmo tempo em que estreava com seus contos e suas traduções como do escritor Goethe.

 No jornal do Comércio publicou “O grito da Lareira”, conto de Charles Dickens. Seus contos “A vingança das Flores, “A flor fenecida” “ O leito nupcial” foram publicados no Jornal do Comércio.  Prossegue com seus trabalhos e escreve “Episódio obscuro” abordando aspectos da revolução de 1935.

Após a morte de seu pai em 1890, após o confinamento domiciliar imposto pelos a favor da república recém instalada defende com um espírito de pura coragem o nome de seu pai ultrajado pela Federação. Seu repto saiu nos jornais da Capital nacionais e de língua alemã o qual seu efeito imediato foi calar os opositores.  

 

Bibliografia

KOSERITZ, Carl von. Imagens do Brasil. Tradução de Afonso Arinos de Mello Franco. 1941. Biblioteca Histórica Brasileira, Livraria Martins Editora. Texto Original "Bilder aus Brasilien", editado na Alemanha em 1885.

Memórias de Brummer -- Flores, Hilda Agnes .