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Em plena depressão, você construiria o maior prédio do mundo? Pois foi justamente na época da maior crise econômica que nasceu o Empire State, apelidado na época de: “Empty State Building”, num trocadilho com a palavra “vazio”. 

 

Dois milionários da indústria automobilística estavam em acirrada competição. Queriam saber quem tinha o maior... prédio. Um era Walter Chrysler, dono da indústria que levava seu nome. O outro era John Jakob Raskob, vice-presidente da General Motors e inventor do sistema de financiamento de veículos. A disputa seria resolvida com a construção dos dois maiores obeliscos modernos que se tinha visto. Walter ergueu seu Chrysler Building, uma obra-prima de 77 andares, que ocupa lugar especial no coração nova-iorquino. O arranha-céu – termo criado naquela época de explosão imobiliária vertical – posicionou-se como o maior do mundo, acabando com o curto reinado do Woolworth Building, de 1913 a 1930. Raskob encomendou à firma de arquitetura William Lamb of Shreve, Lamb & Harmon um projeto faraônico. Recusou 59 desenhos, mas o 60º contentou seu ego. Tratava-se de uma única torre simples, com recuo começando a partir do quinto andar. Imponente e exalando dignidade este monumento colossal seria ancorado no exato endereço ocupado pelo luxuoso hotel Waldorf-Astoria original (o hotel que hoje ocupa a Park Avenue é uma segunda encarnação). Duas semanas depois de ser iniciada a demolição das torres do Waldorf-Astoria, em outubro de 1929, se deu o estouro da Bolsa de Valores de Nova York acarretando a chamada depressão de 29. Os peões da obra sabiam que, se alguém perdesse o emprego, estaria na rua da amargura. Não é de estranhar que cada um lutasse com toda garra, apesar das quase 14 horas de jornadas. Os mais atrevidos entre os acrobatas parafusavam as vigas de ferro que formariam o esqueleto do ESB sem nenhum tipo de proteção. “Meus almoços eram feitos nas nuvens, empoleirado em vigas a 300 metros de altura”, dizia “Crazy Marty”, um dos operário que chegou a trabalhar 18 horas seguidas. Deste modo, foi possível erguer quatro andares e meio a cada semana.Os esforços e perigos custaram a vida de 14 pessoas. 

 

Raskob plantou sobre o prédio uma agulha metálica, cuja existência permaneceu secreta até o final. A função oficial da estrutura era – imagine só – a de servir de ponto de ancoragem para dirigíveis. Mas, depois de algumas tentativas muito malsucedidas, a idéia foi abandonada.

 

 

 

    

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