"A
imaginação é mais importante do que o conhecimento"
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Aos 26 anos, Albert Einstein publicou três artigos que
revolucionaram a Física, dentre eles a Teoria da Relatividade. Após a
morte de Einstein, as teorias continuam gerando debates no meio científico.
2005 marcou o ano da Física em homenagem aos 100 anos dos artigos
escritos por Einstein.<<
Albert
Einstein
nasceu a 14 de março de 1879, em Ulm na
Alemanha,
de uma família judia da classe média. Seu pai, Hermann Einstein,
possuía uma oficina eletrotécnica, com o irmão Jacob, e tinha um grande
interesse por tudo que se relacionasse com invenções elétricas.
Em 1881, nasce Maria Einstein (Maja). Einstein teria sempre uma relação
muito íntima com a irmã. Eles recebem uma educação não religiosa. A
juventude de Einstein é solitária.
Embora tenha começado a falar só aos três anos, não é verdade que tenha sido um fraco
estudante. Um traço evidente do seu caráter, que mais tarde se manifestou
de forma inigualável, era a sua obstinação e ousadia.
Enquanto estudante, só se aplicava
quando o assunto lhe interessava intensamente. A ciência foi uma preocupação
na sua vida desde muito cedo.
Aos cinco anos fica profundamente impressionado com uma bússola que
ganhara de presente de seu pai. "Como é que uma agulha pode se
movimentar, flutuando no espaço, sem o auxílio de nenhum mecanismo?"
- disse o jovem, imaginando que todo objeto deveria ter algo de oculto...
Aos sete anos ele demonstra o teorema de Pitágoras, para surpresa do
seu tio Jakob, que poucos dias antes lhe ensinara os fundamentos da
geometria.
Aos onze anos descobre o que mais tarde designou como o “livro sagrado
da geometria” de Euclides.
Em 1894 o negócio do pai em Munich fracassa, e a família desloca-se para a
Itália, deixando Einstein para trás a fim de completar o ensino secundário.
Einstein, que tolerava com dificuldade a rígida disciplina do Gymnasium,
abandona a escola aos 15 anos e junta-se à família em Milão.
Mais tarde haveria de confessar: "É
quase um milagre que os métodos modernos de ensino não tenham eliminado a
sagrada curiosidade que conduz à pesquisa; o que esta planta delicada
necessita mais do que qualquer outra coisa, além do estímulo, é a
liberdade."
Após meio ano de viagens, faz exame de admissão ao Instituto Politécnico
Federal em Zurique (E.T.H.), Suíça. Tenta entrar, apesar de não ter o
diploma do secundário e ser mais jovem do que o previsto para ingressar em
curso superior. É reprovado nas provas de química, biologia e línguas
modernas, mas seus excelentes resultados em matemática e física chamaram a
atenção do diretor da escola, que lhe aconselha a concluir o curso secundário
na escola cantonal em Aarau, próxima a Zurique.
Durante o curto tempo em que passa nesta escola, escreveu o seu plano para o
futuro.
" Se eu tivesse a sorte de
passar nos meus exames, iria para Zurique. Ficaria lá
durante quatro anos para estudar matemática e física. Imagino-me
tornando professor naqueles ramos das ciências naturais,
escolhendo a parte teórica deles. Eis as razões que me levam a
este plano. Acima de tudo, esta é minha disposição para
pensamento abstrato e matemático, e minha falta de imaginação e
habilidade prática ".
Ficou mais do que feliz nesse ambiente livre e
motivador da escola cantonal, e só se preocupava com um problema que
nem ele, nem seu professor sabiam resolver: queria saber qual o
aspecto que teria uma onda luminosa para alguém que a observasse
viajando com a mesma velocidade que ela! Pareceria congelada? Este
problema voltaria tempos depois, quando Einstein formulou sua teoria
da
Relatividade.
Em setembro de 1896 foi aprovado nos
exames finais, o que lhe concedia admissão em uma universidade. Com exceção
de francês, suas notas foram boas em todas as matérias, especialmente em
matemática, física, canto e música (violino)..
É finalmente admitido no E.T.H. em 1896.
Para sua surpresa e decepção, a Escola Politécnica
não atendia suas expectativas. Ao contrário da escola de Aarau, onde
as aulas se desenvolviam em estimulantes discussões, na ETH os
professores se contentavam em ler, em voz alta, livros inteiros! Para
fugir do tédio de aulas tão monótonas, Einstein decide "matar
aulas", aproveitando o tempo livre para ler obras de física teórica.
Ao concluir o curso, em agosto de 1900, ele fica
na esperança de ocupar o cargo de assistente do professor Hurwitz,
para logo depois descobrir que perdeu o emprego por influência do seu
ex-orientador, H.F. Weber. Começam aqui as manifestações de má
vontade de seus ex-professores. Einstein procurou emprego durante
muito tempo. Enquanto isso, dedicava algumas horas do dia lecionando
numa escola secundária.
Conrad Habicht, Maurice Solovine e Albert Einstein
ACADEMIA
OLÍMPIA
Na páscoa
de 1902, Maurice Solovine leu um anúncio num jornal de Berna segundo
o qual Albert Einstein dava aulas particulares de matemática e física
por três francos a hora. No terceiro dia de aula, Einstein desistiu
de cobrar e sugeriu que eles tivessem apenas reuniões diárias para
discutir o que bem entendessem. Algumas semanas depois Conrad Habicht
começou a participar das discussões. Para ridicularizar as
verdadeiras academias científicas, passaram a se autodenominar
Akademie Olympia.
Foi com esses dois colegas e com Michele Besso
que Einstein discutiu as idéias científicas que resultaram nos
extraordinários trabalhos publicados em 1905.
Destas animadas reuniões ele ainda se lembrava
nostalgicamente no fim de sua vida. Eventualmente Einstein dava um
concerto de violino. Se o ambiente era intelectualmente rico, a janta era
triste; comiam geralmente uma salsicha, uma fruta, um pedaço de queijo,
mel e uma ou duas xícaras de chá. Dos três, o único que escreveu algo
sobre essas reuniões foi Solovine. Na introdução do seu livro, Albert
Einstein: Letters to Solovine, ele diz que para discutir filosofia e ciência,
eles leram Platão, Spinoza, Karl Pearson, Stuart Mill, David Hume, Ernst
Mach, Helmholtz, Ampère e Poincaré. Mas também leram obras literárias
de Sófocles, Racine e Charles Dickens. Desses, os que mais influenciaram
Einstein foram Hume, Mach e Poincaré.
Inversamente, nos últimos anos de sua existência, Einstein raramente
tinha paciência para ler tratados científicos, e tinha que depender de
seus amigos para se manter informado acerca de trabalhos desenvolvidos por
outros cientistas.
Então, em
1902 consegue um emprego como técnico especializado no Departamento
Oficial de Registro de Patentes de Berna, sendo promovido, em 1906, a
perito técnico de segunda classe. Einstein permaneceu lá até
1909, quando a Universidade de Zurique convida-o para o cargo de
professor.
Os anos que Einstein viveu em Berna foram muito
alegres e produtivos. Podia ele tocar seu violino, cujo prazer imenso
propiciava-lhe momentos de total meditação.
Contando com o salário do registro de patentes para assegurar-lhe uma
vida modesta, e com obrigações profissionais pouco exigentes,
sobrava-lhe tempo para a contemplação. Seu raciocínio criador pôde
se desenvolver a passos largos. Seus três célebres enunciados de 1905
foram insuperáveis em brilhantismo lógico e ousadia.
Mileva Maric e Albert Einstein
estudaram juntos na Escola Politécnica de Zurique nos últimos anos do
século XIX. Ela era a única mulher da faculdade e se destacava
principalmente em matemática. Concluíram o curso no primeiro semestre
de 1900, mas ela fracassou, por duas vezes, nos exames para a obtenção
do Diploma de professor secundário. Durante a segunda tentativa,
em julho de 1901, ela estava com uma gravidez de três meses (Lieserl, a
filha de Einstein cujo destino é desconhecido). Deprimida, retorna à
casa paterna e abandona o plano para a obtenção do diploma da ETH. Casaram-se
em 1903 e
tiveram dois filhos: Hans Albert e Eduard. Após dez
anos de desentendimentos, separaram-se no ano de 1913.
Mileva, que sofre de uma tuberculose cerebral. O marido cientista, então,
resolve não incomodá-la com a questão do divórcio. Embora só
tenha formalizado o divórcio em 1919, a setembro de 1917 Einstein
muda-se para a casa da sua prima, Elsa Löwenthal, com quem vive até a
morte dela, em 20 de dezembro de 1936.
Alguns autores pesquisaram sua
vida durante décadas, como Djordje Krstic, cujo livro "Albert e
Mileva Einstein - seu amor e colaboração", que foi
publicado em sérvio após sair em esloveno e inglês, apresenta uma série
de argumentos defendendo que as obras revolucionárias foram produto de
um trabalho em comum. Segundo Krstic, o casal trabalhou junto até 1913
ou 1914, quando se separaram e, cinco anos mais tarde, se divorciaram. A
separação representou um golpe para ela do qual nunca se recuperou.
Os biógrafos de Mileva Maric concordam que ela
viveu à sombra de seu marido, entregue totalmente a ele e à família,
orgulhosa de dizer que ambos formavam "uma pedra", que é a
tradução literal da palavra alemã "einstein". "O
interesse tanto na Sérvia como no mundo pela vida dela despertou há
cerca de 20 anos, quando foram publicadas as cartas de amor que Mileva
guardou até sua morte e que "são de valor incalculável porque
revelam como Albert Einsten crescia como cientista junto a ela",
explica a doutora Bozic.
Em 1994, a Universidade de Novi
Sad criou o prêmio Mileva Maric para o melhor estudante de matemática.
Também há um projeto para transformar em museu a formosa casa que seu
pai construiu para ela em Novi Sad.
Em
1905, Einstein elaborou sua tese de doutoramento pela University of Zurich
(Universidade de Zurique ) a qual foi dedicada a seu amigo Grossmann e que
recebeu o título " On a new determination of molecular
dimensions " ( Sobre uma determinação nova de dimensões
moleculares ). Sua tese apareceu publicada na edição da revista científica
alemã " Annalen der Physik " ( Anais da Física )
que continha os seus cinco artigos.
O quarto artigo,
intitulado "Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento",
revolucionou a Física Newtoniana. É a que faz a síntese da mecânica clássica,
da óptica e da teoria eletromagnética de Maxwell. Demonstrou que o espaço
e o tempo não são independentes entre si, mas relativos; e que a massa é
uma grandeza relativa e não absoluta, variando com o movimento.
O quinto artigo
deu-lhe o título de "A inércia de um corpo depende do seu conteúdo
em energia?" e é o corolário do precedente.
Einstein
desenvolve a nova idéia de equivalência entre massa e energia. Einstein
expôs a formulação inicial da teoria da relatividade que, mais tarde, o
tornaria mundialmente conhecido. Einstein propôs a famosa equação E = mc2. Esta equação afirma que a massa de
qualquer objeto é diretamente proporcional à sua energia
(E = energia, m = massa do objeto, c =
velocidade da luz).
Na
época em que foram apresentadas, as teorias de Einstein, além de
serem complexas eram altamente polêmicas, gerando muita controvérsia.
EINSTEIN, O FILÓSOFO
A sua forma de
fazer ciência era também nova. Era uma ciência filosófica:
sentava-se, usava a imaginação, escrevia equações, voltava à
realidade, via se havia que fazer ajustes, regressava à teoria... A
ciência não era assim até então, baseava-se em fatos comprovados
nos laboratórios.
“Todos os conhecimentos humanos começam por intuições,
avançampara concepções e terminam com idéias”
Filosofo Emmanuel
Kant (1724-1804)
"Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do
Universo - o único caminho é o da intuição".
-
Mas é isso mesmo que se dá com um cientista. - concluiu po
cientista. - O mecanismo do descobrimento não é lógico... Você não
vê? É uma iluminação súbita, quase êxtase. Há uma conexão com
a imaginação. E imaginação é mais importante que o conhecimento.
Eu penso 99 vezes e nada
descubro. – disse Albert - Deixo de pensar, mergulho em um grande
silêncio e a verdade me é revelada. A mente avança até o ponto
onde pode analisar, mas depois passa para uma dimensão superior, sem
saber como lá chegou. Todas as grandes revelações realizaram este
salto.
O espaço e tempo sem um corpo, mas um
corpo não pode existir sem espaço-tempo. Tudo que existe, tudo que
observamos vira nosso conhecimento, não é? Tempo e espaço são
conceitos que temos intuitivamente. Logo, tudo que existe, todo nosso
conhecimento, está baseado na intuição cósmica.
A observação se baseia nos nossos sentidos que nos dão apenas a
mera aparência da realidade. Você tem que se libertar da ilusória
algema dos sentidos. A intuição é nossa estação de partida. A
imaginação é a nossa estrada que precisa ser trilhada com o raciocínio.
Só assim você, eu, todos nós, conseguiremos chegar ao nosso
destino, o livre conhecimento.
(Trecho retirado do livro
Caio Zip em: Einstein
Picasso Chaplin e Agatha
A partir dessa nova visão,
baseado na leitura desde a juventude de livros com "Critica da
Razão Pura" de Kant, Einstein confronta com a teoria de Newton
e as leis das mecânica que estavam estabelecidas têm de ser
modificadas. Uma das características dessa transformação é que
quando as coordenadas são transformadas, o tempo também tem de ser
alterado. Aí começa uma nova mecânica. Se eu estou em movimento, o
intervalo de espaço é diferente em dois referenciais, logo o tempo
tem de ser diferente também para que a razão seja sempre a mesma.
Intervalos de espaço e de tempo são diferentes em referenciais
diferentes. Os intervalos são relativos, por isso a teoria é
denominada
RELATIVIDADE. Não há simultaneidade em referenciais em
movimento. É possível comprovar que os relógios, quando comparados
entre si: o que está em movimento anda mais lentamente. Se um relógio
for colocado num Concord, depois de uma viagem de algumas horas
podemos compará-lo com outro e há diferenças. São ínfimas, mas são
mensuráveis e coerentes com a teoria de Einstein.
CONTINUANDO A VIDA DO CIENTISTA E FILÓSOFO...
De 1909 a 1932 foi professor de Física Teórica das Universidades de
Zurique, de Praga e de Berlim.
Construiu a nova teoria Geral da Relatividade em 1915, e em 1921 foi
premiado com o Premio Nobel da Física.
Einstein tem contribuições importantes em quase todas as áreas da física,
mas, sem qualquer dúvida, suas contribuições mais impactantes foram
aquelas relacionadas com a teoria da relatividade restrita e com a teoria
da relatividade geral.
Naturalizado norte-americano em 1940, país para onde emigrou em 1933, forçado
pela ascensão do nazismo e onde passou a lecionar no Institute for
Advanced Study de Princeton, em New Jersey, Einstein, que toda a vida se
preocupou com os problemas sociais, sendo um pacifista ativo e um defensor
do judaísmo, em 1952 foi convidado para presidente de Israel, o que
rejeitou.
Sendo um grande e profundo pensador,
deleitava-se no silêncio da reflexão científica e filosófica e, embora
conhecido como cientista, é autor de muitos e belos pensamentos.
Morreu em Princeton no ano de 1955.
Tudo é relativo. Será?
É um erro atribuir a Einstein a
afirmação de que "tudo é relativo". Einstein
estava em dúvida qual seria o nome da teoria. Não sabia se devia chamá-la
de Equivalência pela igualdade de energia com a massa... Se devia
chamar de Invariância pela velocidade da luz não variar... Ou será
melhor chamar de Relatividade para destacar que o tempo e o espaço são
grandezas relativas ao sistema de referência?
O cientista até tentou mudar o
nome de sua obra para "Teoria da Invariância", mas
Relatividade foi o nome que pegou.
Curiosidades
O
INCOMPREENDIDO
Demorou
até 1921 para ganhar o Nobel?
Na verdade, Einstein foi rejeitado oito vezes
pela Comissão do prêmio de 1910 a 1921, pois os jurados se mantinham
divididos quanto à questão da Relatividade. Chegaram até indicar um
membro para analisar a Teoria, mas foi em vão, ele não conseguiu
compreendê-la. O comitê Nobel para Física da Academia Real de
Ciências da Suécia, então, não ousou conceder
o prêmio com medo que algum dia alguém comprovasse que a Teoria estava
incorreta.
Quando enfim deram o prêmio Nobel, no valor de 32 mil dólares, foi pelo
trabalho sobre o efeito fotoelétrico.
Com seu humor irônico de sempre, deixou a todos surpresos na hora de
discursar pela premiação ao ficar destacando somente a teoria da
Relatividade e nenhuma linha sobre o efeito fotoelétrico.
Einstein repassou a Mileva Maric o dinheiro do Nobel, em cumprimento a um
acordo de divórcio.
O
MÚSICO
Aos
6 anos de idade, incentivado pela mãe, o que depois foi consolidado com lições
de Heller Schmidt dos 6 aos 13 anos, o violino viria a tornar-se um
instrumento fundamental ao longo de toda a sua vida quando pretendia
refletir sobre suas teorias.
Ele também gostava
de compor ao piano hinos religiosos. Ele aprendeu a tocar sozinho, ouvindo a
talentosa pianista que era a sua mãe e, em casa, recebia aulas de religião
judaica. Aos 12 anos porém quando estava se preparando para o seu bar
mitzvah ele perdeu o que chamou mais tarde de seu “paraíso religioso da
juventude”. O que o chocou de modo particular e o levou a uma rejeição
de qualquer concepção antropomórfica de Deus por toda a sua vida, foi uma
citação de Xenófanes: “Se bois pudessem pintar, eles representariam
seus deuses em forma de boi”. Einstein chamou sua convicção religiosa de
um “sentimento religioso cósmico”.
Em Berlim, no ano de 1919, uma pequena orquestra
formada por escritores e cientistas costumava reunir-se freqüentemente na
casa do matemático Hadamar. O repertório predileto desses músicos
amadores era formado pelas sinfonias de Mozart e algumas obras de
Beethoven
Fazia-lhes falta um bom
primeiro violino. Jacques resolveu o problema, trazendo para o grupo um
novo colega chamado Albert Einstein. Este ainda era um desconhecido fora
dos círculos especializados e poucos integrantes sabiam que o novo
violinista dirigia um famoso instituto alemão e era constantemente
indicado para o prêmio Nobel da Física.
Leia o testemunho do novelista George
Duhamel, sobre a participação de Einstein em seu primeiro ensaio: "Einstein
era um bom violinista. Tocava com clareza e rigor, observando suas
entradas com absoluta precisão, mas sem fazer o menor esforço para
destacar-se sobre os demais. Nos momentos de inatividade levantava seu
nobre rosto, cuja expressão era uma mistura de candura e inteligência.
Estava bem vestido, mas nele tudo era simplicidade. Sentia-se que ele não
dava importância às vestimentas. Já a música representava um enorme
valor para seu espírito. Quanta devoção, quanta modéstia havia na
personalidade desse mestre. Lembro-me, sobretudo, de alguns ensaios, em
que líamos e estudávamos a Sinfonia Júpiter, de Mozart. Esta obra se
transformou para mim em um símbolo de recordação de Einstein”.
O
NAVEGADOR
Quando não trabalhava, gostava do contato com a natureza, era um
navegador entusiasmado. Adorava a solidão. Isolava-se num veleiro ou então
caminhava sozinho pelas montanhas.
Einstein adorava um local chamado Caputh(pequena aldeia perto de Berlim),onde tinha uma casa de veraneio às margens de um lago. A casa foi
um presente dos cidadãos ao cientista em reconhecimento por seu grande
prestígio internacional. Lá, ele passou seus verões e nesse lugar, que
considerava “o paraíso”, fazia passeios com um veleiro que ganhou de
presente de seus amigos, pelo seu 50 º aniversário. O cientista chamava
o barco de "my thick sailing boat”.
Mas como nada é perfeito, o cientista teve que abandonar o local, fugindo
do nazismo, indo se exilar nos EUA.
Tropas de choque alemãs revistaram a casa de campo de Einstein, em busca
de armas e munição, pois tinham informações de que ele dera permissão
para militantes comunistas estocarem equipamento militar em sua
propriedade. Nada foi encontrado, além de uma faca de pão! Tais
acontecimentos haviam sido previstos por Einstein. Ao fechar a casa em
Caputh ele teria dito a Elsa: "Dreh dich um. Du siehst's nie
wieder" ("Olha em volta. Não voltarás a vê-la.”
No
lago de Princeton, com seus cabelos brancos rebeldes e sua livre imaginação,
continuou a velejar, a deixar sua mente vagar por outros mundos.
O
IMAGINATIVO
Albert
apreciava jogos que requeriam uma certa paciência e tenacidade, e de
preferência que pudessem ser realizados individualmente. Em vez de
brincadeiras infantis com as outras crianças, no jardim, preferia
construir, sozinho, complicadas estruturas com cubos de madeira e grandes
castelos de cartas. Aos sete anos ele demonstrou o teorema de Pitágoras,
para surpresa do seu tio Jakob, que poucos dias antes lhe ensinara os
fundamentos da geometria.
Gostava de fazer experiências
mentais. Por exemplo, o que aconteceria se viajasse ao
lado de um raio de luz? Ou se estivesse a cair do telhado de uma casa?
Estas duas experiências mentais foram importantes para desenvolver a
relatividade restrita e a geral.
Na escola, Albert
sentia grande dificuldade para se adaptar às normas rígidas do estudo.
Os professores eram muito autoritários e exigiam que os alunos soubessem
tudo de cor. Geografia, história e francês eram grandes suplícios e,
particularmente, o grego constituía obstáculo quase intransponível:
decorar conjugações de verbos era para ele um horror! Enfim, no conjunto
das suas habilidades infantis, nada deixava transparecer o gênio que
viria a ser; seus familiares acreditavam até que ele poderia ter algum
tipo de dislexia. Preferia mais as matérias que exigiam compreensão e
raciocínio, tal como a matemática.
Em conseqüência das suas dificuldades para memorizações ele se
desinteressava pelas aulas que exigem tais habilidades, provocando
violentas reações dos seus professores. Tanto, que certo dia o diretor
da escola, coincidentemente o professor de grego, convoca-o para uma reunião
e declara, entre outras coisas, que seu desinteresse pelo grego era uma
falta de respeito pelo professor da disciplina, e que sua presença na
classe era péssimo exemplo para os outros alunos. Encerrando a reunião,
o professor disse que Einstein jamais chegaria a servir para alguma coisa
(Fölsing, p. 28)
Educado no ambiente militarista da Alemanha dos anos 1880, o pequeno
Albert nunca quis ser soldado. Certo dia, durante um desfile militar, seus
pais asseguraram que ele um dia também poderia usar um daqueles belos
uniformes. O garoto, por volta dos sete anos, respondeu que
"detestaria ser um desses coitados". Também evitava atividades
competitivas, incluindo aí xadrez. Aos 16 anos solicitou a cidadania suíça,
para evitar o serviço militar na Alemanha.
Em suas notas autobiográficas, Einstein conta que ficou tão enfastiado
das questões científicas que, logo depois de se formar, passou um ano
inteiro sem ler as revistas especiais que eram publicadas. Isto
possivelmente pelo fato de já haver, durante o curso, feito a leitura de
todos os grandes cientistas da época - particularmente Helmholtz, Hertz e
Boltzmann - adiantando-se ao programa estabelecido pela Faculdade.
Preferia ficar lendo em casa a ir assistir às aulas.
Um
de seus professores de matemática, Hermann Minkowski, que mais tarde
foi o primeiro a interpretar geometricamente a
Teoria da
Relatividade
Restrita, quando viu o artigo de Einstein publicado na revista Annalen
der Physik , em 1905, ficou estarrecido. "Será que é o mesmo
Einstein?" - comentou com um colega - E quem era aquele meu aluno
há alguns anos atrás? Naquela época ele parecia conhecer muito
pouco do que lhe era ensinado!
USAR
SAPATO SEM MEIA?
Quando a segunda esposa Elza lhe pediu para adotar hábitos mais saudáveis,
respondeu que preferia "pecar tanto quanto puder: fumar como uma
chaminé, trabalhar feito um condenado, comer sem moderação, caminhar só
quando tiver boas companhias, ou seja, quase nunca, dormir irregularmente,
etc.”
No cotidiano
era avesso a formalidades, começando pelas regras de vestuário. Quando
começou a carreira como professor universitário na Suíça em 1909, era
apontado como alguém que se vestia aquém da elegância do cargo. Após a
morte de sua segunda mulher, em 1936, seus padrões se tornaram ainda mais
anticonvencionais. Vivia em Princeton, nos Estados Unidos. Os suéteres
amassados e os sapatos que calçava sem meias fizeram dele uma figura
folclórica no campus.
Apesar de ter uma aparência desleixada,
avesso às regras, estava longe do mito do cientista desligado. ''Era
muito interessado em questões históricas e políticas. No tempo da
Guerra, sempre costumava dar sua opinião. Durante a Primeira Guerra, ele
fazia propaganda antibelicista, defendia o diálogo entre as nações, ao
mesmo tempo em que se dedicava aos seus estudos sobre gravitação. O
excesso de trabalho na década de 20 chegou a provocar um colapso físico,
sendo tratado pela prima Elsa Lowental, com quem se casou depois.
O
PACIFISTA SEM PAZ
Frente à ameaça
nazi-fascista, concluiu que uma guerra pode ser justa se "o inimigo
busca o extermínio da vida em si mesma". Foi criticado por outros
militantes do movimento pacifista, mas sustentou sua posição. Assinou
uma carta enviada ao presidente americano Franklin Roosevelt, que defendia
a realização de estudos sobre o uso da energia nuclear. A carta foi um
dos fatores decisivos para a criação da bomba atômica. Não se dizia
culpado, mas no pós-guerra retomou imediatamente a atividade pacifista,
afirmando, ainda em 1945, que "a bomba trouxe a vitória, mas não a
paz".
Seu trabalho no
Instituto de Estudos Avançados centrou-se na unificação das leis da física,
que ele chamava de Teoria do Campo Unificado. Não conseguiu encontrar uma
teoria que permitiria englobar todos os fenômenos gravitacionais e
eletromagnéticos, como em uma única estrutura lógica.Tentou. Isolou-se
em profunda meditação, mas não conseguiu.
Morreu
sem a paz
Sem
a paz de conceber uma idéia de Unificação do Universo