O
Almirante Raeder acaba de receber um importantíssimo chamado: Hitler requeria a
sua presença. Diante do Führer, o almirante foi notificado, intempestivamente,
do iminente início das hostilidades contra a Polônia. Com efeito, Hitler acabava
de receber do seu embaixador em Moscou um telegrama que lhe comunicava que
Stalin havia aceitado a realização de um pacto com a Alemanha. Esse acordo
deixava o Führer de mãos livres para levar adiante seus planos de conquista na
Polônia e enfrentar, além disso, a possível reação da França e da Inglaterra.
Raeder, depois de ouvir os detalhes, retorna para sua sala.
Raeder
senta-se na mesa e, com as mãos firmes, acende um cigarro. Sua mente vaga
juntamente com os anéis de fumaça... As lembranças vieram à tona...
Raeder se via numa conferência realizada meses antes com
Hitler. O almirante escutava atentamente o Führer contando sobre o acordo com os ingleses para um
novo tratado naval. Como Raeder ficou animado com a novidade. Desde que a Alemanha
tinha sido derrotada na Primeira Guerra Mundial, em 1918, as potências
participantes têm obrigado a Alemanha a cumprir o Tratado de Versalhes. Suas cláusulas estabeleciam as
limitações que restringiam a Alemanha, como potência vencida, no campo das
forças armadas. A Marinha de Guerra alemã, em particular, foi reduzida, em
número de unidades e tonelagem, a uma força puramente simbólica. Depois da
ascensão de Hitler ao poder, em 1933, Raeder ficou encarregado da Marinha de
Guerra Alemã, iniciou um programa de construções navais, a fim de reforçar
rapidamente o seu poderio. O Almirantado Britânico tomou conhecimento do fato e
viu que isso implicava numa violação do Tratado.Raeder voltou-se para Hitler e
perguntou:
– Como conseguiu esse novo acordo?
- Iniciei negociações com os ingleses.- dizia
Hitler.
- Mas e a França e a Liga das nações?
- Estão fora.
- Mas, então, como conseguiu?
- Aproveitamos uma brecha numa cláusula, Almirante,
que caso houvesse uma emergência a Alemanha poderia elevar a percentagem de
submarinos de 45% para até 100% isto é, igualar a frota
submarina alemã à britânica.
- Emergência! Que emergência?
- Você mesmo disse, há meses atrás,
Raeder, qual
era a nossa emergência: “A chave do poderio marítimo alemão está debaixo da
superfície. Dêem-me submarinos e teremos dentes para atacar...” Está
lembrado? – Raeder esboçou um sorriso matreiro, enquanto o Führer entregava-lhe
o telegrama de Ribbentrop, anunciando o
novo tratado naval - Aqui tem os seus
dentes, almirante.
Logo que Raeder teve em suas mãos a autorização de
Hitler, tomou as medidas necessárias para organizar a nova frota de submarinos.
Encomendou essa tarefa ao Capitão-de-Fragata Karl Doenitz, que havia sido um dos
mais brilhantes comandantes de submarinos da Primeira Guerra Mundial. Doenitz,
que desde o primeiro momento predisse que a Alemanha teria que enfrentar a
Inglaterra no mar, foi um decidido promotor do desenvolvimento acelerado da
frota submarina.
As fumaças se dissiparam e Raeder volta a encarar a realidade na sua sala. Suas
preocupações envelheciam seu rosto.
Como pode tudo isso estar acontecendo?– refletia o comandante.- Como Hitler não
percebeu que não haveria tempo suficiente para concluir o plano Z? Afinal,
organizar uma frota mais numerosa, com poderosas unidades de superfície, que não
somente seria empregada no ataque da navegação mercante, mas que também estaria
em condições de combater as naves de guerra inimigas é um plano trabalhoso
demais. Por que o Führer não adotou o plano que previa a concentração dos
esforços bélicos em torno do tráfego mercante, utilizando submarinos e
encouraçados? Doenitz tinha razão em acreditar de que a Inglaterra não
permaneceria indiferente ante a construção de uma frota de tamanha amplitude,
portanto, era necessário incrementar, com maior celeridade possível a frota
submarina. De acordo com seus cálculos, somente com um mínimo de 300 naves desse
tipo a Alemanha poderia operar com êxito contra a navegação mercante britânica.
Como pude demorar em autorizar a elevar para 300 ? Por que só nesse último mês,
ouvi os pedidos de Doenitz em aumentar o poderio submarino? Só agora durante as
manobras? Só nesse último mês?
A
decisão chegou muito tarde. Agora, ele percebia que Hitler, decidido nas
hostilidades contra a Polônia, não lhe dava mais chances de consertar o erro.
Ele teria que contar com apenas 57 submarinos em operação. O arrependimento
enchia seus olhos de dor. Por mais que tentasse não conseguia deixar de encarar
a mensagem de Hitler sobre o pacto com Moscou... As portas abertas para a
entrada na Polônia... “A batalha vai começar”- concluía aflito o
comandante. E de acordo com as ordens de Hitler, Raeder ordena imediatamente que
a frota de submarinos abandone, sem tardar, as suas bases e se situe nos pontos
prefixados, nas rotas de navegação, do Atlântico e do Mar do Norte. Os
encouraçados Graf von Spee e Deutschland também se fazem ao mar, com o mesmo
objetivo.
Mais
tarde..
17 submarinos do novo modelo IX,
de grande raio de ação, abandonam suas bases e rumam para as águas do Atlântico,
entre o sul da Irlanda e Gibraltar.
27 de agosto,
Madrugada
6 submarinos de ataque costeiro
situam-se no mar do Norte. A estas unidades logo se somam outras 10, que, vindas
do oeste, armam um cerco em torno das ilhas britânicas.
30 de agosto
De manhã
6
submarinos do tipo VII, postam-se em posições estratégicas, entre as ilhas
Orcadas e a Islândia. Enquanto essas unidades de guerra permanecem no mar, em
seus postos de ataque, na base de Wilhelmshaven o Almirante Doenitz aguarda do
Alto-Comando a ordem que dará começo às hostilidades.
3 de setembro
Às 11 horas da manhã
As
rádios da base começam a transmitir a esperada mensagem: “A Inglaterra e a
França declaram guerra à Alemanha... Cobrir postos de combate... conforme
instruções já determinadas para a Marinha”.
Horas depois
As
tripulações ainda estão preparando os barcos, quando chega uma segunda mensagem,
transmitida pessoalmente por Doenitz. Seu texto dizia: “Instruções de combate
para a frota submarina, agora em plena vigência... Atacar transportes de tropas
e navios mercantes que transportem equipamento militar, de acordo com o
regulamento da Convenção de Haia... Atacar comboios inimigos sem aviso, com
exceção de barcos que transportem passageiros, que devem ter passagem livre...
Não atacar esses barcos, nem navegando em comboios. Doenitz”.
A ordem do Almirante alemão dá início à terrível batalha do
Atlântico.
Às 20 horas
O
submarino U-30 navega silenciosamente a 200 milhas a oeste das ilhas Hébridas. A
neblina se estende sobre o mar, dificultando a visibilidade. Na torre do
submersível, que navega à superfície, o comandante, Capitão Lemp, acompanhado
pelo primeiro-oficial, perscruta as trevas que os rodeiam, numa tentativa de
vislumbrar o possível inimigo. De repente, entre a bruma, vê-se aparecer a massa
negra de um grande navio que navega sem luzes de sinalização e ziquezagueando.
Depois de um primeiro minuto de vacilação, Lemp acredita reconhecer a silhueta
de um cruzador auxiliar britânico. Dirige-se ao seu lugar-tenente e ordena: -
Submergir!
Ao
mesmo tempo, o alarme de combate ressoa pelo submarino. Os homens correm a seus
postos. Lemp desce ao interior e se coloca diante do periscópio. O submarino,
impulsionado agora pelos seus poderosos motores elétricos, navega debaixo da
superfície para impedir a passagem do grande navio. Um profundo silêncio reina
entre os tripulantes. Lemp, depois de uns instantes, ordena: - Periscópio acima!
Em
poucos segundos, o comandante, sem afastar os olhos do visor do periscópio,
calcula a velocidade e o rumo da nave inimiga. Imediatamente transmite esses
dados ao segundo comandante, encarregado dos torpedos. Assim se chega ao minuto
que antecede o ataque. Nesse momento, apenas 1.500 metros separam ambas as
naves. Lemp, sem vacilar, grita a ordem: - Disparar!
Rapidamente, três torpedos partem
para o alvo e 60 segundos depois, o submarino estremece.
Nesse instante, o rádio-telegrafista de bordo capta uma mensagem
do navio sinistrado: “Athenia, torpedeado, 56,42 norte; 14,05 oeste”. Lemp,
então, consulta o registro do Lloyd’s . O rádio-operador, contudo, já se
adiantara. Conferira e o informa: “Navio de passageiros, inglês, meu comandante;
13.500 toneladas de acordo com o registro”
Lemp se sente amargurado. Desobedeceu, por engano, à ordem emitida por Doenitz
de não atacar navios de passageiros. Seu trágico equívoco acaba de custar a vida
de 112 passageiros das 1.400 que o Athenia transportava. Entre as vítimas,
estavam 69 mulheres e 16 crianças. Lemp dirige-se para seus aposentos e lá se
fixa num pequeno retrato em cima de uma mesinha. Era a foto de sua esposa
sorrindo.
27 de setembro
A noite
U-30 regressa à sua base. Lemp se entrevista imediatamente com o Almirante
Doenitz, que não tem a menor suspeita da grave comunicação que o comandante do
U-30 lhe fará, minutos depois. Com efeito, Lemp, lhe confessa: - Eu afundei o
Athenia.
Correm os dias...
A notícia se espalha
Apesar de ter conhecimento da verdade acerca do episódio, Hitler, pessoalmente,
ordena a Goebbels que propalasse pela imprensa e pela rádio uma versão muito
diferente do que realmente sucedera.
22 de outubro
Ao entardecer
O
ministro de propaganda nazista anuncia pelo rádio que o navio Athenia havia sido
afundado por ordem de Churchill. No dia seguinte, os jornais da Alemanha repetem
a notícia em primeiro plano. A versão dizia que uma bomba de tempo foi colocada
no navio, por ordem do Primeiro Ministro inglês, com o objetivo de criar um
incidente entre a Alemanha e os Estados Unidos (o Athenia transportava 331
passageiros americanos, 28 dos quais morreram).
Meses depois
O
afundamento do Athenia a oeste da Irlanda induz, contudo, o Almirantado a
estender a navegação em comboios, às águas do Atlântico. Também nesse setor se
tomam com antecipação as necessárias medidas de precaução. Os barcos mercantes e
suas tripulações recebem orientação e materiais para operar em comboios. Com
sábia previsão, os britânicos haviam conservado os canhões utilizados na
Primeira Guerra Mundial para defender os seus barcos mercantes contra os
submarinos. Essas peças de artilharia são rapidamente recondicionadas e montadas
nos transportes, a fim de obrigar os submarinos a efetuar seus ataques abaixo da
superfície. Assim, nos três primeiros meses da guerra, os ingleses conseguem
artilhar cerca de 1.000 barcos mercantes.
Muitos navios de pesca (trawlers) são equipados com aparelhos “Asdic” -
instrumento (sonar) para detectar submarinos, consistindo num transmissor de
ondas ultra-sonoras que, ao chocar-se com um objeto submerso, se refletem esse
eco é recolhido., indicando automaticamente a distância e a posição do
submarino. Estes barcos colaboram eficazmente na luta contra os submarinos.
Abril
1940
Às 21 horas
Submarino alemão, U-Boat 99 navega no Atlântico a procura de um comboio inglês.
O telegrafista transmite mensagem codificada pela máquina, denominada Enigma,
para o QG. situado em terra pedindo informações.
Às 23 horas
Os
alemães recebem informações dos serviços de patrulha marítima, acerca do
movimento de um comboio inimigo na região. O comandante do U-Boat alerta a todos
os submarinos que se achavam nas cercanias da zona indicada.
3 horas da manhã
O
submarino avista o comboio e informa, em código, a sua posição, velocidade e
rumo, aos demais submarinos para formarem, pela sua gíria, a sua “alcatéia de
Lobos”.
4:43 da manhã
Uma massa de submarinos se dirige para o objetivo e coloca-se em posição.
Diferente do início da guerra, quando os ataques se realizavam individualmente,
agora, com a máquina de códigos, Enigma, o sistema se aperfeiçoou. Os membros da
“alcatéia” aguardam a emissão de um sinal do QG, indicando que todos os
submarinos estão reunidos. O marujo encarregado de receber as mensagens
criptografadas do primeiro submarino espera a mensagem do Q.G. A atmosfera que
se respira a bordo, durante a imersão, está sempre viciada pelo suor tenso da
tripulação e da escassa e às vezes nula ventilação. Os purificadores de ar nada
ajudam nessas horas. O espírito de equipe faz com que os homens se sintam
orgulhosos apesar do sofrimento imposto.
8 :15 da manhã
Chuvas fortes com mar revolto
O
marinheiro entrega a mensagem ao comandante. Toda a tripulação o encara e
imediatamente tomam seus postos. Então, todo o grupo de submarinos se lança
simultaneamente, de diferentes ângulos, sobre a presa. O comboio, sem chances de
decifrar os sinais do inimigo, sem chance de interceptá-los ao serem atacados,
recorrem, então, a todos os tipos de manobras evasivas e truques diversos, na
tentativa de fugir do cerco inimigo. A “alcatéia”, porém, mantendo-se
permanentemente em contato com o QG, e entre si, tinha muito pouca chance de ser
burlada. As tentativas de fuga são exaustivas. Por fim, a “alcatéia” desfecha o
golpe final... Um a um vão afundando os navios... Os alemães abatem de vez sua
caça.
Junho 1940
Com a conquista da França a guerra submarina
toma um curso mais intenso, ao disporem os alemães de bases na costa
atlântica. Os portos de Lorient, Saint Nazaire, La Pallisse e Bordéus
convertem-se, a partir de então, nos centros nevrálgicos da atividade
submarina. Efetivamente, até esse momento, os submarinos alemães se haviam
confinado às suas bases, nas costas do Mar do Norte, o que reduzia notavelmente
a ua efetividade e raio de ação na zona do Atlântico. No porto de Lorient
inicia-se a construção de enormes ancoradouros, cobertos por grossas abóbadas
de concreto, para proteger os submarinos contra os ataques aéreos. Estas
construções são também realizadas em outras bases, e em pouco tempo exibem
resultados extraordinários.
A
ocupação da França permite também aos alemães ampliar o alcance dos seus aviões
e atacar os comboios britânicos, causando-lhes graves perdas. Este fato obriga
os ingleses a desviar, praticamente, a totalidade da navegação das rotas do sul
para o norte. Os submarinos alemães têm assim oportunidade extraordinária para
aumentar o número de afundamentos, pois a concentração dos comboios em zona
estreita facilita os seus ataques.
Além disso, a ameaça de invasão da Inglaterra obriga a Marinha britânica a
reunir grande número de destróieres para a defesa das ilhas contra o iminente
ataque. As formações de escolta vêem-se seriamente debilitadas, fato que também
contribuiu para aumentar as vitórias dos submarinos alemães.
Segundo semestre de
1942
Os nazistas operam com
muito sucesso na zona oriental do Caribe, e diante da costa brasileira. Os
submarinos são reabastecidos por petroleiros provenientes de Penang, na costa
ocidental da Malásia, que os japoneses colocam à disposição de alemães e
italianos como base de operações. Durante as batalhas as formações submarinas
alemães enfrentam uma oposição que aumenta, gradualmente, de intensidade. A zona
costeira da América do norte e também a da América central são patrulhadas, dia
a dia, com crescente eficiência. Os submersíveis alemães, em conseqüência, se
vêem obrigados a abandonar zonas como a do Caribe, sulcadas permanentemente
pelos navios mercantes, porém, paralelamente, patrulhadas por grande quantidade
de naves de guerra e aviões de observação. Da mesma maneira, a costa da África
terminara por converter-se em território proibido para os submarinos alemães.
O maior perigo para os submarinos
agora entra na frente da batalha, tornando as presas mais difíceis de serem
abatidas. Além de enfrentarem ataques com bombas de profundidade, quando
submersos agora existe o risco representado pelos aviões munidos de uma nova
arma.
Setembro de 1942
De madrugada
A neblina espessa
camufla uma unidade alemã que se encontra em navegação à superfície, longe de
possíveis atacantes... Eis que repentinamente surgido entre as nuvens aparece um
avião inimigo. A agitação no U-Boat cresce. O avião, sem piedade, mergulha sobre
o submarino, descarregando sobre ele suas bombas de profundidade. Os alemães
surpreendidos percebem que a única explicação para aquele ataque repentino era que, indubitavelmente,
o inimigo estava guarnecido com a mais nova arma:
o radar para aviões.
Semanas
se passaram...
Em
contrapartida, os
submersíveis alemães são equipados, pouco depois, de um aparelho denominado FUMB
("Revelador de radar");
As unidades alemães de
zonas nas quais haviam obtido brilhantes triunfos são forçadas a sair com o
aumento gradual do raio de ação dos aviões de observação. De fato, os aparelhos
com base em terra que, em 1939, tinham um raio de ação de 130 milhas marítimas,
em 1941 o haviam alongado a 300; a 600 em 1942 e, por fim, em 1943, a 800. Isto
significava que os aviões com bases em Terra Nova, Islândia e Grã-Bretanha
estavam em condições de cobrir, praticamente, toda a extensão do Atlântico
norte.
Outono de 1942
Os submersíveis alemães, premidos pelas circunstâncias, são obrigados a recorrer
a novas armas que permitem que eles ataquem e se defendam das pequenas naves de
escolta, destróieres e, principalmente, de torpedeiros.
Os novos submarinos...
Os alemães estão em
desvantagem, pois são obrigados a manter a luta baseada nos velhos submarinos.
Estes, providos de "Snorkel" , que consiste num longo tubo que ascende até a
superfície e permite a renovação do ar no interior da nave e a recarga das
baterias. De dia, no entanto, a esteira do "Snorkel" é claramente visível e,
também, o ruído dos motores diesel impede os tripulantes de perceber sons do
exterior.
A única solução, em
definitivo, está no motor, isto é, um submarino veloz. O professor Walter propõe
à marinha alemã a construção de um submarino que utilizaria, em uma turbina de
gás, o oxigênio produzido pelo peróxido de oxigênio. O submersível poderia então
desenvolver uma velocidade de 25 nós em imersão.
Tomando como base o
projeto do professor Walter, a marinha determina a construção de algumas
pequenas unidades. Estes submarinos, de 80 toneladas, em linhas gerais, reagem
positivamente às esperanças neles depositadas.
Os submarinos, no
entanto, não estão em condições de levar a bordo o peróxido como combustível,
pois se trata de uma substância extremamente ativa.
Março de 1943
Os aliados perdem 627.000 toneladas de embarcações.
5 de maio
Houve um progressivo e impressionante declínio de perdas de embarcações dos
aliados.Já no lado dos alemães, Doenitz
calculou que para cada três submarinos que tinha no mar, perdia um.
23 de maio
Donitz, vendo que não resistiria a tais perdas por muito tempo, ordenou a seus
submarinos se retirem do Atlântico Norte.
19 de Junho de 1943
A esta altura dos
acontecimentos, os caças anti-submarinos vencem a batalha. Os submarinos têm
suas possibilidades reduzidas a poucas missões. Invariavelmente, as escoltas dos
comboios aperfeiçoam os métodos de ataque e aumentam gradualmente os seus
efetivos. A
construção de novos navios mercantes tinha finalmente superado as perdas, e a
batalha estava ganha.
Final de
Junho
O Alto Comando alemão,
tratando de encontrar uma solução para a situação desesperadora, adota diversas
medidas para contrabalançar a superioridade do inimigo.
A coisa está feia.Um
novo projeto de submarino é apresentado ao Almirante Doenitz que de imediato,
vendo suas possibilidades, dá ordem de iniciar a construção. Paralelamente,
confia ao Ministro Speer tudo o que se relaciona com as construções navais.
Hitler, por sua vez, aprova um programa de fabricações e a
primeira unidade é
lançada ao mar em pouco tempo, originando grandes esperanças...
8 de dezembro 1943
Colossus
entra em ação.
Abril até outubro de
1944
Mais 44 unidades do
novo submarino são
terminadas a qualquer custo. No entanto, as esperanças iniciais são rapidamente
minadas por um grande desalento. Na verdade, todas as unidades revelam grandes
deficiências e, de um modo geral, carecem de aprimoramento. Os nazistas têm que
se contentar com os submarinos do tipo antigo. O dia a dia fica mais difícil.
Terminou a época das "alcatéias de lobos" e do "emprego coordenado" através da
máquina Enigma. Os ingleses já conseguem decifrar os códigos alemães graças à
criação do computador Colossus, o "verdadeiro" primeiro computador eletronico do mundo.
Os submarinos desconhecem a grande artimanha dos ingleses que fazem de tudo para
esconder a sua vantagem. Para evitar suspeitas, a contra-espionagem britânica
optou por espalhar em Berlim o rumor de que os Aliados tinham inventado um
«super-radar» capaz de detectar o mais oculto dos submarinos. Aos poucos, os
submarinos voltam a operar isolados. Chegam a ser efetuadas saídas de 66 dias;
isso constituía, indiscutivelmente, um esforço sobre-humano para as
tripulações.
Maio de 1944
Apesar da desvantagem,
as unidades submersíveis alemães ainda oferecem campanha a 3.000 unidades navais
inimigas e a vários milhares de aviões.
Apesar de tudo, os
alemães ainda contam com armas que tornam suas naves muito perigosas. É muito
eficiente, por exemplo, o "Zaunkonig", torpedo que avançava para o navio inimigo
guiado pelo rumor de suas hélices.
29
de maio de 1944
O U-549, em ação
individual, afunda, a oeste da ilha da Madeira, o porta-aviões de escolta
americano "Block Island", que fazia parte de um grupo anti-submarino. Além
disso, torpedeia um dos caça-torpedeiros da escolta; logo depois, porém, o U-549
é vítima de outro caça-torpedeiro.
10
de junho de 1944
Naves de um grupo
anti-submarino americano abordam o submarino alemão U-505, que se encontra
gravemente avariado. Após reparar suas avarias, rebocam-no até um porto
americano.
Outono de 1944
Os submarinos alemães
comprovam que a proximidade da costa inimiga lhes oferece maior segurança. A
escassa profundidade dificulta a atividade dos aparelhos detectores,
dificuldade agravada também pela grande quantidade de cascos afundados. Porém, a
frota submarina alemã, que conta com cerca de 400 unidades, já não está em
condições de modificar o curso da guerra.
Nos primeiros meses de
1945
Mensagem recebida
pelo alto-posto alemão no final da guerra:
“As perdas de
submarinos foram particularmente elevadas para todas as nações: a Alemanha, que
durante toda a guerra, pôs em serviço mais de 1.100 submersíveis, perdeu mais de
800; a Inglaterra perdeu 77 unidades sobre 235; à Itália, 86, em 160; os Estados
Unidos, 52 em 290; e o Japão 127 em 190.”