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>> Trecho do primeiro livro do volume 2,
no qual Caio volta
para
casa após as viagens do volume anterior <<
Com
o rosto coberto pelas mãos, desconsolada, Gina ainda não conseguia
entender o que estava acontecendo. E o pior, o que iria dizer aos pais
de Zip sobre o seu filho? Como Caio Zip pôde desaparecer, daquele
jeito na sua frente. Tinha que haver uma explicação. A professora
começou a imaginar como seria a cena ao dar a notícia “bomba”
para os pobres pais:
“Ah!
Eu não sei como aconteceu. Tenho péssimas notícias. Zip
desapareceu.
-
Aquele garoto não tem jeito! – reclamaria o pai.- Aposto que foi se
encontrar com os amigos.
-
Não, César! – interromperia a mãe. - Ele deve estar escondido por
aí - a mãe começaria a gritar. – CAIO! VENHA LOGO AQUI! PARE COM
ESSA BRINCADEIRA JÁ!
-
Vocês não entenderam. Caio desapareceu no ar. Ele sumiu.
-
Ah, Gina!- lamentaria a mãe.- Desculpe essa confusão... Ele vai
ouvir aquela bronca.
-
Vou ter que ser mais enérgico com ele, Sara. Ele está passando dos
limites.
-
Eu sei que é difícil acreditar - eu interromperia -, mas acreditem,
Caio SUMIU, EVAPOROU”!
Quanto
mais Gina tentava imaginar o diálogo, menos acreditava no acontecido.
Talvez ela estivesse sonhando, pensou. O que faria agora? A
professora particular de Caio vasculhou todo o quarto. Ele tinha que
estar ali escondido. A porta ainda encontrava-se fechada. Procurou
embaixo da cama, começou a ver detalhes como atrás do espelho
pendurado no armário. Talvez estivesse sendo vítima de uma
brincadeira com truque de espelhos... Quando estava agachada vendo se
havia algum fio escondido, sentiu algo estranho, um leve toque no seu
ombro. Ela se assustou e acabou batendo a cabeça na porta do cômodo.
Olhou para trás e viu o desaparecido usando, como sempre, aquele boné,
sorrindo e acenando para ela.
-
Caio! É você? Ah! Eu sabia! Quis me pregar uma peça, não é? Como
você fez esse truque?
-
Que truque, Gina!Foi incrível! Eu fiz uma viagem no tempo e agora
estou aqui de volta. Foi muuuito legal. Quanto tempo eu fiquei fora?
-
Que negócio é esse de viagem! Você ficou escondido uma meia hora
e...
-
Demais! Eu viajei, fui a tantos lugares. Fui a Londres e conheci
Sherlock Holmes... O cara era estranho e me meteu numa investigação
sobre uma organização criminosa... Consegui até salvar o detetive
de levar uma facada do número UM. Fui parar no Espaço, no futuro, e
vi o nosso planeta... É lindo lá de cima! Aprendi até a jogar
skatebol na estação orbital. Lutei contra os hititas junto de Ramsés
II e o ajudei até a construir um templo, mas que, na verdade, era uma
grande estratégia para pegar os inimigos. Tantas coisas
aconteceram... Eu até fui parar numa dimensão paralela... Eu me
transformei em outra pessoa! Imagine! Tudo isso levou tantos dias e
depois volto aqui quase no mesmo instante... Não é o máximo?
-
É! O máximo da imaginação. O que foi que você bebeu?
-
DROGA, Gina! É verdade! Foi fantástico!Eu sei que parece difícil de
acreditar, mas aconteceu ou vai acontecer... Foi muito legal ou será
muito legal! Nem sei mais!
-
Realmente, você tomou alguma coisa - brincou Gina. – Ah! Sei! Tudo
isso só pode fazer parte de sua estratégia para me deixar maluca.
Está perdendo tempo, Caio. Eu já sou maluquinha.
-
Ok! Eu vou provar que é verdade – Caio começou a apalpar o corpo
até se lembrar do colar ainda pendurado no seu pescoço.- Veja! Esse
é o colar que ganhei da Nefertari, a rainha, esposa do faraó Ramsés
II do Antigo Egito.
-
Um escaravelho!- Gina pegou e ficou admirando. -É lindo!
-
Viu!
-
Muito bonito, Zip!
Caio
já estava com um sorriso de vitorioso, quando Gina continuou:
-
Realmente muito bonito e...
-
E...
-
Muito novo para ser do Antigo Egito, não acha?
Caio
ficou surpreso, mas viu que ela tinha razão. A figura do colar
parecia ter sido pintada recentemente, pois aquela cor azul que o
envolvia estava brilhando. Desesperado, apalpou o corpo novamente, mas
dessa vez não encontrou mais nada que pudesse ajudá-lo na sua história.
Até que se olhou no espelho.
-
Olha, Gina! Veja como estou!!
-
Qual o problema?
-
Ora! Quando você chegou, eu não estava mais branco? Eu não tava com
essa cara, não é? Olha como eu estou queimadão! Isso foi por ficar
muitos dias no deserto. Isso não é uma prova? De que outra forma eu
ficaria desse jeito, hein?
-
Você é muito bom. Pensou em tudo, até nesse último detalhe para me
fazer acreditar nessa “viagem fantástica”, mas acho que sua mãe
não vai gostar de saber que você anda usando a maquiagem dela, não
é?
Caio
ficou desapontado. Insistiu, mas ela estava irredutível. Sentou-se na
cama e colocou as mãos encostadas no queixo e suspirou. Gina pegou
seus pertences e depois se aproximou do garoto.
-
Não fique chateado, Zip! – ele a encarou. - Bem! Já que você está
de volta ao nosso presente, aproveite e estude um pouco para as provas
finais pra, pelo menos, passar de ano... – o garoto ficou aborrecido
com aquela ironia.
-
Gina, você tem que acreditar!
-
Está bem, Zip! Cada um acredita no que quer. Eu preciso ir. Tenho um
compromisso com um outro aluno. Ele acredita que foi adotado e é um
extraterrestre.
-
E não pode ser verdade?
-
Pode. Afinal ele reclama que não consegue se comunicar com os pais e
eles, por sua vez, reclamam que o filho vive no mundo da lua, de
cabelo verde espetado...
Caio
olhou desanimado e se despediu. Gina deu um sorriso e saiu do quarto.
Sozinho, caminhou até o espelho, olhou para seu rosto bronzeado e
pensou em voz alta:
-
Mas é verdade! Eu viajei no tempo! Eu viajei!
CONTINUAÇÃO NO LIVRO "Caio Zip em: De Volta ao Lar"
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